Contrassenso?

“Olha para o que eu digo, não para o que eu faço”, foi o título do meu artigo de opinião de 7 de outubro, mas que também bem poderia ser o deste.

É um ditado que começa a encaixar vezes de mais na gestão autárquica.

Este ano a Câmara Municipal de Felgueiras vai gastar o valor mais alto de sempre em iluminação de Natal.

Antes de mais, tenho de dizer que sou a favor da dinamização e embelezamento dos polos urbanos por altura das festividades e do contributo que isso trás para o comércio local e para acalentar os nossos corações nesta época tão especial.

Mas tenho de questionar se faz sentido um gasto tão elevado ou se isso será um contrassenso nos tempos que correm e quando há tantas outras coisas que precisam de atenção mais urgente por parte da Câmara Municipal?

Desde logo, já todos, ou quase todos, perceberam que não vivemos tempos de “vacas gordas” e que teremos de nos conter nos gastos, sobretudo aqueles que gerem o que não é seu e que, por isso, têm responsabilidade acrescida.

Os indicadores económicos do município começam a fazer soar alguns alarmes, nomeadamente os do crescente endividamento e do pagamento cada vez mais tardio a fornecedores.

São cada vez mais frequentes os relatos de falta de condições nas nossas escolas que são aconselhadas a pouparem no aquecimento das instalações, para o que também não contribui a pouca verba disponível para o efeito e a falta de aprovisionamento atempado, por exemplo, de pellets.

Os utentes das piscinas municipais também sentem na pele a falta de aquecimento adequando da água e das instalações.

Mas afinal a que custo é que são impostos estes sacrifícios, sobretudo às crianças?

Até se pode vir a concluir que a iluminação não vai aumentar e que o custo das coisas é que aumentou ou até que a forma concursal utilizada acabou por impedir um melhor preço, mas seja como for a Câmara Municipal, com estes números e nestas circunstâncias, deu um muito mau sinal aos felgueirenses.

São opções.