Covid-19: Empresas de Felgueiras admitem graves prejuízos com diminuição de encomendas

Emídio Monteiro aludiu, por outro lado, à “preocupação” das empresas face ao receio de propagação do contágio, “questão transversal” a todos os setores de atividade”. Apesar disso, sinalizou o dirigente, “Felgueiras tem sido um bom exemplo” nas ações preventivas | FOTO: ARMINDO MENDES

Os empresários de Felgueiras admitem “graves prejuízos” devido à perda de encomendas internacionais, mas também por indisponibilidade temporária de mão-de-obra, no contexto do impacto da Covid-19.

 

“Por razões bem conhecidas, esse impacto tem-se feito sentir”, comentou Emídio Monteiro, presidente da Associação Empresarial de Felgueiras (AEF), em declarações à agência Lusa.

 

DIMINUIÇÃO DA MÃO-DE-OBRA DEVIDO À COVID-19

O dirigente assinalou serem visíveis no concelho líder de produção de calçado em Portugal casos de unidades industriais que têm perdido encomendas, com a diminuição da procura internacional, mas também porque não conseguem cumprir prazos de entrega.

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A falta de mão-de-obra, com muitas pessoas em casa no contexto atual de pandemia, é “uma situação que as empresas têm particular dificuldade em acomodar na presente circunstância, porque, anotou, em muitos casos “perturba o funcionamento em linha do processo industrial”.

Felgueiras é o maior produtor e exportador nacional de calçado (800 milhões de euros por ano), laborando no concelho 700 empresas do setor, que empregam 25 mil pessoas. Cerca de 95% da produção no concelho destina-se à exportação.

 

DIFICULDADES NAS COBRANÇAS DAS ENCOMENDAS

Na indústria, também já são notórias, prosseguiu, “dificuldades no recebimento do valor das encomendas, em função da queda da procura no retalho internacional”.

“Os impactos são manifestos na operação corrente das empresas. Os danos económicos ainda são de difícil quantificação”, disse, reafirmando a “inevitável” quebra nas encomendas “em função da contração da procura no retalho”.

 

COMÉRCIO ENFRENTA MOMENTOS DIFÍCEIS

Anota, por outro lado, haver pequenas empresas de Felgueiras, de comércio e serviços, que já sofrem “os impactos gerados pela situação de alerta e isolamento social causado pela pandemia”.

“É conhecida dificuldade dos negócios ligados à restauração e comércio de proximidade”, acentuou.

Para tentar minimizar os impactos da situação, a AEF criou um serviço de apoio, que já foi contactado por cerca de 75% dos seus associados.

Os empresários, explicou, fazem perguntas sobre aplicação do ‘lay-off’ já em março e nos meses seguintes, para além dos apoios de tesouraria disponíveis, entre outras preocupações.

“Acreditamos e aguardamos que o processamento dos apoios [do Governo] seja ágil e rápido para evitar, tanto quanto possível, os danos no emprego da região”, referiu.

À Lusa, Emídio Monteiro aludiu, por outro lado, à “preocupação” das empresas face ao receio de propagação do contágio, “questão transversal” a todos os setores de atividade”. Apesar disso, sinalizou o dirigente, “Felgueiras tem sido um bom exemplo” nas ações preventivas.

Armindo Mendes/da Agência Lusa