Crónica “anunciada”!

Nas legislativas de 2022 em que o Partido Socialista obteve uma histórica maioria absoluta, Felgueiras, concelho, voltou a estar representada na Assembleia da República, por dois deputados: António Faria na bancada do PS, e Pedro Melo Lopes na do PSD.

O PSD voltava a ter um representante depois de Leonel Costa, e no PS curiosamente assistiu-se a “uma passagem de testemunho” geracional familiar: António voltava a um lugar que já foi ocupado pelo pai, Júlio Faria.

Na bancada laranja Pedro Lopes assumiu várias intervenções aguerridas em momentos importantes da discussão de temas de saúde, mas acabou, em minha opinião, fragilizado pela mudança de liderança no seu partido, e consequentemente das respectivas estruturas. A saída de cena de Rui Rio e dos seus homens fortes, como por exemplo Salvador Malheiro, e a entrada de Luís Montenegro e da sua equipa, fragilizaram as escolhas anteriores, mormente para a Assembleia da República.

Já António Faria foi igual a si próprio, discreto, com intervenções pontuais, um homem da máquina e que aproveitou o tempo na capital para fortalecer as relações no seio do PS, onde na eleição do novo secretário-geral esteve taticamente do lado “certo”, apoiando Pedro Nuno Santos!

E eis que um turbilhão de acontecimentos judiciais anteciparam o fim da legislatura, e se voltou à “mercearia” dos lugares nas listas: Pedro Lopes é relegado para um inelegível vigésimo primeiro lugar, e António Faria entra no “top 20”.

Pedro Lopes, que tinha em 2022 ocupado um lugar de destaque na lista do PSD no distrito do Porto, mostrou-se “desiludido” com as escolhas da liderança e até se pode interpretar pelas suas intervenções nas redes sociais como “agastado”. Reconheço que na AR o deputado laranja felgueirense foi interventivo e trabalhador, mas isso contrasta com a sua pífia ação na concelhia, facto que tem motivado muitas críticas internas a vários níveis das estruturas do PSD. E por isso, além da mudança de líder no partido, e das habituais “negociações” na elaboração das listas, Pedro Lopes pode queixar-se de si próprio na avaliação que é naturalmente feita do seu mandato como presidente do PSD/Felgueiras.

Obviamente que é “apenas” o rosto, o líder, e existe uma equipa que tem que saber interpretar o que a sua intervenção, falta dela, teve como consequência, além da oposição inócua que vem fazendo nos órgãos autárquicos.

Este novo “caso” autárquico é mais um exemplo preocupante sobre a falta de ação e intervenção!

E do lado do PS? 

Tudo fazia crer que António Faria estaria numa posição, que embora não lhe garanta a eleição direta, poderá significar a sua continuidade como deputado. Só que nos últimos dias, as notícias revelaram que o Tribunal de Instrução Criminal de Penafiel solicitou o levantamento da imunidade parlamentar de António Faria para que este seja constituído arguido por cinco crimes praticados enquanto exerceu o cargo de chefe de gabinete de Nuno Fonseca.

E agora o que esperar de António Faria? 

Ao “Expresso de Felgueiras” assumiu que pretende assumir o lugar de deputado se vier a ser eleito. O PS tem um “Compromisso Ético” em que os candidatos assumem a “completa disponibilidade para renunciar à candidatura ou ao mandato quando pronunciados ou condenados em primeira instância por crime doloso contra o Estado a que corresponda pena de prisão cujo limite máximo seja superior a três anos ou quando sujeitos a medidas de coação privativas da liberdade”.

Por isto nenhuma surpresa nas intenções de António Faria. Exemplo que esperaria: o mesmo de Duarte Cordeiro! 

Neste tempo em que as instituições democráticas sofrem tantos ataques, os atores políticos têm responsabilidades acrescidas na defesa da “Democracia”, mais por atos do que por palavras. A assumpção é no serviço público “está-se”!

E agora o que esperar de Nuno Fonseca e do seu executivo?