Decidir o “status quo”

O CDS-PP/Felgueiras assemelha-se àqueles exemplos de famílias ricas, que mantêm o título, o respeito da sociedade, mas a quem só restam os dedos porque os anéis já se foram! É possível recuperá-los?

 

Dedicar uma crónica de opinião ao CDS-PP/Felgueiras não significa “perder tempo” com a Liga dos Últimos tendo em conta a história deste partido nacional e localmente, embora muitos – e já lá vou -, tenham contribuído para a percepção negativa em vez da positividade na presença e na relevância de um partido muito importante na história democrática no nosso país, mas atualmente “entalado” entre o Chega e a Iniciativa Liberal.

No passado recente, e tomando como princípio da análise 2009, o CDS-PP tem vindo a perder de forma significativa importância na política concelhia, pela redução de representatividade nos órgãos autárquicos. Em 2009 o CDS-PP fez parte da coligação Nova Esperança – PSD/CDS-PP tendo conseguido vencer as eleições autárquicas e consequente contribuído para a mudança na gestão do Município, liderando a Assembleia Municipal através de Paulo Rebelo. Em 2013 decidiu quebrar o acordo com o PSD de Inácio Ribeiro, concorrendo a solo, motivando a passagem de Paulo Rebelo para o “PSD” uma vez que foi eleito vereador nas listas do Manter a Esperança, mas obteve um resultado muito expressivo e lisonjeador com 8.721 votos, ficando muito perto de eleger um vereador e elegendo dois deputados municipais. Em 2013 Carla Carvalho demonstrou capacidade política, domínio dos temas municipais, competência, energia, capacidade de mobilização. Em 2013, desculpem a redundância, Carla Carvalho demonstrou mesmo competência e liderança. Mas então o que aconteceu a partir daí?

Durante o mandato 2013-2017 o CDS-PP/Felgueiras esqueceu os seus dois deputados municipais: um rapidamente “encostou-se” ao PSD e outro fez figura de corpo-presente, desbaratando o voto popular que tinha novamente colocado o CDS/Felgueiras no órgão fiscalizador da atividade municipal, votando casuisticamente com base na sua percepção. Logo neste mandato Carla Carvalho que tinha liderado a candidatura decidiu não interferir na ação dos “seus” deputados municipais. Porquê?

É inegável o papel relevante e positivo que Carla Carvalho teve na história recente do CDS-PP/Felgueiras, mas será que contribuiu apenas para o inconsequente canto do cisne? Depois do que acompanhei da história política da ex-dirigente dos centristas tenha para mim que há muitos detalhes por desvendar, e que a estória do mandato 2017-2021 tem muito por esclarecer, e só Carla Carvalho o pode fazer, porque a sua competência e seriedade não desapareceram com o tempo. Existem valores que estão incrustados na alma! Então o que aconteceu?…

Desde 2017 a deputada eleita pelo CDS teve uma atitude errática (validada pelo Presidente da Assembleia Municipal e pelo Presidente de Câmara), demonstrando inequivocamente indisponibilidade para assumir o mandato que lhe foi confiado pelos eleitores felgueirenses, solicitando substituição reunião sim, reunião sim da Assembleia Municipal sem grandes ou pequenas explicações: nenhumas, até ao inevitável pedido de suspensão de mandato… No mandato autárquico em que acabou nomeada para uma posição de chefia num renovado organograma municipal, em regime de substituição! Ou seja, por escolha e nomeação do poder político! A partir daqui abriram-se, e abrem-se todas as oportunidades para as deduções políticas… Aliás, a “talho de foice” não se compreende porque é que vários lugares de chefia continuam a ser ocupados em regime de substituição apesar de terem sido abertos concursos para a sua nomeação definitiva. Afinal compreende-se: enquanto forem lugares de nomeação são escolhidos pelo Presidente de Câmara, que põe e dispõe, o que é muito conveniente como facilmente perceberão…

E agora?… Agora o CDS-PP/Felgueiras está num cruzamento onde tem de escolher uma de duas alternativas.  Acredito que se escolher Miguel Sampaio escolhe o ”status quo”, e que o PSD/Felgueiras sabe que terá à mesa um “representante” de Nuno Fonseca nas negociações para uma coligação autárquica. Se escolher Eduardo Silva, escolherá uma nova via, com “sangue na guelra”, que tem muitos erros para cometer, mas que poderá representar a reafirmação do CDS-PP, sem amarras e com ideais que podem contribuir positivamente para um ressuscitar do partido em Felgueiras, que não se pode resumir ao Baile da Rosa em tons de azul conservador. Isso é mais para as redes sociais, e não para o “palco” político. O PSD tem que decidir com quem quer sentar-se à mesa: um parceiro ou um “enviado especial”…

Está à vista de todos, por motivos que eu gostaria de ouvir da própria, que Carla Carvalho não tinha condições para exercer o seu mandato na Assembleia Municipal durante este mandato. Resta é obter explicações sobre porque isto se manteve com a conivência errática mas concordante do Sim, Acredita (Partido Socialista/Livre). Todos já perceberam a forma como Nuno Fonseca tenta condicionar a ação de todos os partidos, reduzindo a sua capacidade política, e o efeito de oposição. Alguns já apelidam esta forma de “Venezuelização” à moda de Felgueiras.

O CDS-PP/Felgueiras tem a oportunidade de decidir… Resta saber se dará um passo em frente perante o abismo, caindo nele, ou contornado-o!