Difícil e longo!

Este é um tempo que vai mudar o nosso futuro individual e coletivo a nível global. O mundo globalizado como o conhecemos ficará diferente, e como consequência dos limites que estão e serão atingidos pelos diferentes países até os mapas geopolíticos e financeiros se alterarão, com impactos em todos os domínios da sociedade…

 

Literalmente todos, e isso exigirá novos planos, novas estratégias, novos comportamentos, novas competências, etc., o que constitui um enorme desafio. Como o Primeiro Ministro já referiu, esta situação não será fácil nem rápida, porque ninguém estava preparado para lidar com um acontecimento desta magnitude. E quando digo ninguém, não me refiro apenas aos Governos, às autoridades de saúde, às empresas, às escolas, mas também aos cidadãos! A todos…

Se individualmente estivessemos preparados saberiamos que isolamento social é mesmo ficar em casa, recolhido, saindo apenas ao exterior para tratar de assuntos urgentes e inadiáveis, como por exemplo a compra de alimentos e medicamentos ou por questões de saúde, e não para aliviar o stress de 24 horas x 7 dias em casa! Obviamente que os municípios e bem estão a encerrar as eco-pistas, as casas de banho públicas, os cemitérios, os acessos a parques de lazer, as praias, mas o que é importante é que cada um de nós reflita sobre o porquê disto acontecer!… Acontece porque um grande número de cidadãos resolveu “furar” as boas práticas de isolamento para impedir a propagação do Covid-19 e não abdicaram do seu passeio dominical!

Apesar de inicialmente os focos mediáticos se terem fixado em Felgueiras e Lousada, isto é um problema global num mundo marcado pela globalização! E sabendo-se isto é estranho e merece reflexão que uma infecção que começou em dezembro de 2019 na China com as dimensões que foram noticiadas, não tenha merecido mundialmente iniciativas de preparação para o impacto que iria causar! Todos, mas mesmo todos os países só começaram a reagir quando o “fogo” já estava em casa, sem controlo! E nestes momentos deixa de ser possível a proação e passamos à reação… Passamos ao controlo e minimização de danos, e todos sabemos como isso é difícil. Os hospitais não dispõem ainda hoje dos meios necessários; as escolas não estavam preparadas para lidar com ensino/apoio educativo à distância; as empresas não dispõem de meios para lidar com uma situação de crise generalizada, etc… E nesta primeira fase, talvez até junho, os apoios que serão concedidos às empresas serão de dois âmbitos: apoio ao lay-off e acesso a crédito em condições especiais (taxas e prazos)!

Em Felgueiras, o Executivo Municipal tem tido uma ação que merece nota positiva pelas medidas que tem vindo a implementar e pela forma como tem gerido a comunicação, mas tendo em conta que as empresas de Felgueiras tiveram que necessariamente participar na MICAM (a sua realização pelas entidades italianas foi de uma irresponsabilidade inqualificável) para garantir visibilidade e estabelecimento de contactos importantes para manutenção do seu negócio num tempo que já estava a ser difícil, a autarquia em colaboração com as autoridades de saúde e com o Governo deveria ter implementado mais cedo medidas de controlo da população, principalmente do setor do calçado, numa ação que deveria ter envolvido também a APICCAPS, para minimizar o impacto na população e o número de infetados.

Mas agora, este é o tempo de apoiar a ação, e não exigir ação apenas aos que têm funções governativas, quer locais, quer nacionais, mas também exigir a cada um que cumpra a sua função que neste momento é mesmo decisiva para controlar a infeção: #FICAEMCASA!