E agora?!?…

As eleições legislativas realizadas no início deste mês de outubro não foram clarificadoras, pois se por um lado saiu vencedora a Coligação PaF (PSD e CDS/PP), tal não se consubstanciou numa vitória com maioria, e como os dois partidos de direita se apresentaram coligados no boletim de voto, isso significa que a atual configuração da Assembleia da República apresenta uma maioria de deputados de esquerda: PS, Bloco de Esquerda e CDU. Consequência desta configuração, das posições vincadas (poderia escrever também extremadas) que se criaram entre os dois blocos (direita e esquerda), e pelo Presidente da República – que optou por não ter uma posição conciliadora quando perante uma situação complexa tem uma postura de parcialidade, de promoção de conflitualidade, quando antes já tinha sido imprudente ao não marcar as eleições para o tempo em que não estivesse limitado nos seus poderes, e todas as soluções pudessem ser avaliadas -, agora vivemos um tempo politicamente conturbado e de posições extremadas!

Tal como já tive oportunidade de escrever, a PaF foi a força política vencedora do ato eleitoral, mas os eleitores não sufragaram de forma maioritária as linhas políticas defendidas pelo duo Passo-Portas. Por isso, e no cenário político existente – bastante instável -, de um bloco vencedor sem maioria; de um Presidente da República em fim de mandato que não pode provocar novo ato eleitoral, existe uma força política que inequivocamente saiu derrotada do ato eleitoral (até porque almejava vencer e com maioria), que é desconsiderada pelo Professor Cavaco Silva no pós-eleições, que em determinada medida até é “afrontada” pelos vencedores, mas a quem todos exigem agora que seja ponderada e o garante da governabilidade do País!… No contexto atual, e no dia em que escrevo, coloca-se a hipótese de poder ser o Partido Socialista a assumir a Governação do País, com um apoio parlamentar responsável dos deputados eleitos pelo Bloco de Esquerda e pela CDU, depois de assistirmos a um governo que terá um tempo de duração comparável a um Verão de S. Martinho!

Ainda antes das eleições, tive oportunidade de em entrevista ao Expresso de Felgueiras referir que em minha opinião António Costa personificava a candidatura que poderia ser mais favorável para o concelho de Felgueiras, e por consequência para a região, em 4 áreas fundamentais para os felgueirenses: saúde, justiça, educação e apoio às empresas.

Relativamente à Saúde o PS tem um histórico de defesa do Serviço Nacional de Saúde, e da implementação de Unidades de Saúde Familiar para garantir a cobertura dos cidadãos com médicos de família. O PS comprometeu-se a criar 100 novas USF em todo o País.

Na justiça o PS assumiu proceder às alterações necessárias ao mapa judiciário, proporcionado a realização em cada concelho de julgamentos que respeitem aos cidadãos desse mesmo concelho. Todos sabem o que se passa atualmente em Felgueiras: os nosso conterrâneos têm custos elevados com o acesso à justiça que é assegurada em outros concelhos da região que não o seu.
Na educação a Taxa de Retenção e Desistência no Ensino Básico em Felgueiras teve um aumento de 4% de 2010/2011 para 2013/2014. Com a defesa da escola pública, o combate ao insucesso escolar e a garantia de 12 anos de escolaridade haverá certamente uma melhoria dos indicadores.

Quanto ao apoio às empresas, estas podem contar com aceleração na execução dos fundos comunitários, com uma maior articulação e integração dos apoios ao investimento, e a remoção de obstáculos e redução do tempo e do custo do investimento através de um novo programa Simplex para as empresas. É absolutamente prioritário para o PS assegurar que as empresas conseguem aceder aos financiamentos que necessitam para dinamizar a atividade económica e a criação de emprego.

Vivemos o tempo do Parlamento, mas a “bola” será passada novamente ao Presidente da República, e nessa altura todos voltaremos a repetir a pergunta: E agora?…