Eduardo Teixeira demite-se da direção do PSD em rutura com Inácio Ribeiro (atualizada)

Em 2009, festejaram em conjunto a histórica vitória da Nova Esperança

O ex-vereador do PSD e atual membro da direção concelhia de Felgueiras, Eduardo Teixeira, vai apresentar a demissão do seu cargo na direção do partido, assumindo a rutura política com o líder da comissão política e presidente da Câmara Municipal, Inácio Ribeiro.

“Há cerca de ano e meio, comecei a afastar-me politicamente do presidente da Comissão Política, Inácio Ribeiro, na medida em que comecei a discordar frontalmente da forma como não conduziu o partido”, comentou o histórico militante do PSD.

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Eduardo Teixeira, que foi diretor de campanha do PSD em vários combates eleitorais autárquicos no concelho, fez questão de enfatizar que as críticas que faz nesta entrevista a Inácio Ribeiro são se natureza estritamente política, mantendo-se a amizade pessoal, frisando que começou por fazê-lo pessoalmente, em diferentes momentos, e mais tarde internamente no partido.

“Fiz uma série de reparos e de observações que, do meu ponto de vista, teriam que ter uma mudança em termos de orgânica e trabalho político. Na altura, houve verbalmente uma abertura para isso acontecer, mas o facto é que nada se passou. O partido continua praticamente sem reunir. O partido não ouve os militantes, a Comissão Política não reúne para tratar de assuntos importantes e quando o faz é à mesa de restaurantes, onde não dá para conversar”, explicou.

Em entrevista ao EXPRESSO DE FELGUEIRAS, Eduardo Teixeira sublinhou que vai manter-se como militante social-democrata e lançou críticas ao desempenho de Inácio Ribeiro, acusando-o de estar a “enquistar” o partido, provocando o “afastamento e a desilusão dos militantes”.

“A Comissão Política está muito à volta da máquina municipal, naqueles que estão à mesa do orçamento municipal, deixou de haver debate de ideias e Inácio Ribeiro tornou-se prepotente, arrogante, autista e, do meu ponto de vista, está a conduzir o partido para um beco sem saída”, declarou.

Eduardo Teixeira prosseguiu: “Não há plenários de militantes, o presidente Inácio Ribeiro, com receio das críticas, que são muitas, fechou-se, enquistou o partido à volta de si próprio, com um número muito reduzido de pessoas. Hoje não se sabe se a sede do PSD é na Praça Luís de Camões ou nos gabinetes da Câmara Municipal”.

 

“Eu não estou zangado, nem incompatibilizado com o PSD”

O dirigente diz ter consciência do melindre da situação atual: “Obviamente que assumo todas as responsabilidades, quer no passado, quer no presente e em termos de futuro. Sei que dei muito para o projeto do PSD para ganharmos a câmara em 2009 e consolidar em 2013, mas a minha consciência dita-me outros valores e esses são mais altos, que é Felgueiras e o meu concelho”.

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Nas autárquicas de 2013, o abraço entre Inácio Ribeiro e Eduardo Teixeira

Eduardo Teixeira insistiu que, apesar das críticas, continuará a ser militante: “Eu não estou zangado, nem incompatibilizado com o PSD. Eu não apoio politicamente Inácio Ribeiro, como líder do PSD e como presidente da Câmara. Assumirei todas as consequências e, nos momentos certos, perante os órgãos certos, irei demonstrar por A mais B os motivos que me levam a esta demissão e que me levarão a não apoiar uma recandidatura de Inácio Ribeiro. Não tenho receito nenhum”.

Ainda sobre o momento atual do partido em Felgueiras, o dirigente afirmou haver mais pessoas “que se estão a afastar e a demitir, mas cada um terá de falar por si”.

“Eu assumo as minhas responsabilidades e como eu sou uma pessoa frontal, que digo sempre aquilo que penso e nunca aquilo que os outros gostariam que eu dissesse, estou a assumir esta posição frontal, porque é aquilo que eu penso, que eu sinto, aquilo que a minha consciência me dita. Estou a assumir uma rutura não com o PSD, mas com o atual presidente de câmara”, afirmou, acrescentando: “O PSD Felgueiras não existe, existe o PIR, o Partido de Inacio Ribeiro e esse não vou apoiar”.

Questionado sobre o posicionamento que terá nas autárquicas deste ano, respondeu: “Se Inácio Ribeiro for o candidato à Câmara Municipal pelo PSD, obviamente que a minha consciência me dita que é obrigatório criar uma alternativa credível e forte, um projeto novo para o concelho. Ter Inácio Ribeiro mais quatro anos como presidente de Câmara será igual a mais inércia, mais comodismo, mas passividade, mais amorfismo. O concelho irá piorar”.

O histórico social-democrata prosseguiu: “Com todas as minhas responsabilidades e com o meu grande sentido felgueirense estarei disponível a ajudar, a dar o meu contributo, dentro daquilo que possa e que sei, para criarmos aqui uma alternativa política para os felgueirenses”.

E insistiu: “Acho que o Dr. Inácio Ribeiro prestava um grande serviço ao PSD, mas acima de tudo ao concelho, se não se candidatasse, porque, infelizmente, já não é uma solução para o PSD e para o concelho, é um problema”.

 

Críticas a Inácio Ribeiro e aos “amigos do presidente” na Câmara

O histórico militante do PSD também reprova, com adjetivos contundentes, o trabalho de Inácio Ribeiro como presidente da Câmara, considerando que a autarquia de Felgueiras vive o “pior mandato de sempre em democracia”.

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Questionado sobre o que justifica a opinião negativa que diz ter do Executivo, avançou com alguns exemplos:

“Os serviços municipais estão um caos. Alguns diretores, amigos do presidente, António Geada e a Filomena Colaço, que têm as pastas principais da gestão e da orgânica municipal, não correspondem àquilo que deve ser um concelho dinâmico, empreendedor e com grande índice de desenvolvimento, como Felgueiras. O arquiteto António Geada é um autêntico garrote ao desenvolvimento económico do concelho. Evidentemente que ele já não tem culpa nenhuma. A culpa é da vereadora responsável do pelouro e, em primeira instância, do presidente de câmara.

A ACLEM está a ser gerida por uma pessoa incompetente, que é outra amiga pessoal do presidente. Esses e outros amigos pessoais de fora do concelho, que o presidente trouxe com ele, estão a cavar-lhe a sepultura e é visível a perda de popularidade e de apoios do presidente de câmara”.

Eduardo Teixeira censura ainda o que considera ser “a incapacidade” do executivo de apresentar projetos para serem aprovados através dos fundos comunitários, ao contrário do que está a acontecer com os concelhos vizinhos.

Para o histórico dirigente laranja, “alguns investimentos da autarquia foram feitos com falta de rigor e qualidade”, defendendo que, “oportunamente, terão de ter explicação pública do senhor presidente de câmara”.

Outro exemplo que diz ser negativo é o facto de ao fim de quase oito anos de gestão não ter sido feita a revisão do PDM, apesar de o diretor de urbanismo ter sido contratado há seis anos para liderar esse dossiê.

“Quanto o arquiteto Geada assumiu o urbanismo, a revisão do PDM era a prioridade. Já passaram seis anos e isso não aconteceu, isso demonstra a ineficácia do diretor do urbanismo. É um falhanço tremendo”.

Para o militante, apesar do dinamismo de Felgueiras, “onde há tantos empreendedores”, há cada vez mais dificuldade de aprovar projetos particulares e das empresas, devido à “ineficácia e excesso de burocracia do diretor do urbanismo”.

“Ter Inácio Ribeiro mais quatro anos como presidente de Câmara será igual a mais inércia, mais comodismo, mais passividade, mais amorfismo. O concelho irá piorar”, exclamou o social-democrata.

Eduardo Teixeira refere que Inácio Ribeiro é o “único presidente de Câmara do país que não tem um único pelouro debaixo da sua alçada”.

“Delegou tudo nos vereadores. É muito estranho, é uma desresponsabilização total para aquilo para que foi eleito. O que se tem assistido durante este mandato é que o presidente de Câmara passa mais tempo fora da Câmara Municipal de Felgueiras, noutras instituições, quiçá até no estrangeiro, e as viagens são frequentes”. É mais fácil encontrar o presidente de câmara nas ruas e avenidas de algumas cidades de Moçambique do que nas ruas e caminhos das freguesias do nosso concelho. Por isso, o presidente não tem tempo nem para assumir pelouros, nem para gerir a câmara”, assinalou.

 

“João Sousa daria melhor presidente de Câmara do que Inácio Ribeiro”

Para Eduardo Teixeira, se o presidente do Município “tivesse delegado os pelouros mais importantes na mão do vice-presidente, que tem experiência política, é sagaz politicamente e tem capacidade de trabalho, a Câmara correria melhor”.

“Delegou os pelouros mais importantes em quem chegou de novo, em quem é inábil politicamente e com um desconhecimento total da orgânica da câmara”, acentuou.

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O trabalho do vice-presidente da Câmara, João Sousa, é reconhecido por Eduardo Teixeira

Para o ex-vereador social-democrata, o atual vice-presidente da autarquia, João Sousa, “daria melhor presidente de Câmara do que Inácio Ribeiro”.

“Disse-o em 2009, em 2013 e estou a dizê-lo em 2017. O Dr. João Sousa tem algumas características para ser presidente de Câmara. É um homem de ação, um homem de decisões e que gosta de fazer”, vincou.

Eduardo Teixeira considera que Inácio Ribeiro cometeu um erro ao “desvalorizar um ativo importante que é o vice-presidente da Câmara, João Sousa, e outros ativos importantes como a Carla Meireles, Francisco Cunha e Paulo Rebelo”.

Defendeu ainda que o chefe do executivo fez mal quando delegou os dossiês e as pastas mais importantes em Adelina Silva:

Adelina Silva, vereadora na Câmara de Felgueiras
Adelina Silva, vereadora na Câmara de Felgueiras, também é criticada politicamente por Eduardo Teixeira

“E uma vereadora inexperiente, politicamente inábil e que não acrescentou nada de novo. Pelo contrário, é conjuntamente com Inácio Ribeiro a grande responsável e a grande culpada de estarmos perante o pior mandato de sempre da democracia felgueirense.”

Por tudo isto, concluiu, “se o presidente tivesse o bom senso e se fizesse uma análise ao péssimo trabalho que fez neste mandato devia ceder o lugar a João Sousa”.