Encerramento de empresas de calçado é “muito preocupante”, segundo APICCAPS

FOTO: Armindo Mendes

A Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) considera que o encerramento de empresas de calçado é “muito preocupante”, mas os dados “não são alarmantes”.

 

Em declarações à agência Lusa, o responsável pela comunicação daquela associação sectorial, disse acreditar que os encerramentos na fileira do calçado “não chegarão às duas dezenas”.

“De vez em quando ainda vamos sendo surpreendidos, mas os números não são alarmantes. Naturalmente que qualquer empresa, quando fecha, traz alarme social e é uma situação muito preocupante, nomeadamente porque há pessoas que perdem postos de trabalho e vão ter de ir para o desemprego”.

Recordou, a propósito, o caso da empresa de Felgueiras, Rolando da Cunha Melo, que pediu a insolvência, após mais de 60 anos de atividade.

O número de desempregados registados no IEFP com origem na indústria do couro e produtos de couro, onde se inserem os setores do calçado e curtumes, aumentou mais de 80% no último ano, passando de 2.455 para 4.435.

2024 já será de recuperação, espera a APICCAPS

 

Contudo, Paulo Gonçalves assinala ser expetativa da APICCAPS que 2024 “já seja de alguma recuperação, mas fundamentalmente centrada no segundo semestre”.

“Já tínhamos sinais anteriores que nos levavam a concluir que, até abril/maio, o setor ainda estaria numa fase de alguma contenção. Mas, nos próximos meses, a expectativa é que já comecemos a ter uma dinâmica positiva no nosso setor, quer ao nível das exportações, quer da produção e emprego”, referiu.

Anotou ainda estar em curso um “reajustamento” no setor face ao “ano completamente extraordinário” de 2022, em que “as exportações aumentaram mais de 20% e a fileira criou praticamente 4.000 postos de trabalho”.

Segundo a APICCAPS, o “reajustamento” a que se tem vindo a assistir desde 2023 “tem a ver com a dinâmica que aconteceu na indústria do calçado a nível internacional”, fruto da conjuntura económica, e que se traduziu numa quebra de 11% das importações europeias e de 30% nas importações americanas, sendo que estes dois mercados representam, juntos, mais de 90% das exportações do calçado português.