Escola de Airães diz que 1.º lugar no indicador equidade resulta de 20 anos de trabalho

O diretor da Escola Básica e Secundária de Airães, em Felgueiras, disse hoje que o primeiro lugar do estabelecimento no “indicador da equidade”, que reflete o desempenho de alunos carenciados, é consequência natural de 20 anos de trabalho.

 

“O sucesso é consequência natural e o resultado de 20 anos de trabalho”, comentou Jorge Morgado, em declarações à agência Lusa.

O responsável assinalou que a zona de cobertura da escola, que compreende várias freguesias rurais do concelho (cerca de 700 alunos), apresenta um número elevado de estudantes que têm ação social escolar, correspondendo a cerca de 60% do total.

Os resultados apurados para o indicador da equidade, explicou, resultam do desempenho de cerca de 60 alunos do ensino secundário, com aquele tipo de apoios, no ano letivo de 2018/2019. Os resultados alcançados por esses estudantes de Airães foram os melhores entre as escolas avaliadas, 37% acima da média nacional, indicou.

Os 32 estudantes que fizeram os exames nacionais do 12.º ano foram aprovados, garantindo notas de acesso ao ensino superior.

Jorge Morgado assinalou que o apoio aos alunos, que concorreu para os resultados alcançados, já tinham sido observados em anos anteriores, envolve toda a comunidade escolar e inclui várias atividades, destacando-se as explicações facultadas aos estudantes pela própria escola e um programa reforçado de preparação para os exames.

 

Jorge Morgado, diretor da escola

 

Ao mesmo tempo, o agrupamento tem um educador social que faz o acompanhamento das famílias sinalizadas, incluindo visitas às habitações que são autorizados pelos agregados, reunindo informação que ajudam a escola a direcionar os apoios.

Em termos nacionais, apenas um em cada três alunos carenciados concluiu o secundário sem “chumbar” nem ter negativa nos exames nacionais, mas existem escolas públicas que já começaram a contrariar essa ligação entre insucesso escolar e pobreza.

Estas são conclusões da análise feita pela agência Lusa ao novo indicador intitulado equidade, criado este ano pelo Ministério da Educação para encontrar os estabelecimentos de ensino onde os alunos em situação socioeconómica mais frágil têm sucesso escolar.

O estabelecimento de ensino com mais equidade é a escola de Aires, onde 62% dos alunos com ASE teve um percurso de sucesso e, quando se compara com os estudantes que no 9.º ano tinham resultados semelhantes, observa-se que este estabelecimento foi benéfico para os seus alunos.

Apenas um em cada quatro alunos do país (25%) com resultados académicos semelhantes aos dos alunos da Escola de Aires conseguiu ter um percurso direto de sucesso, ou seja, a escola de Felgueiras levou mais 37% dos seus alunos a ter sucesso.

O diretor do estabelecimento sinalizou hoje que o apoio aos alunos “tornou-se ainda mais necessário”, devido ao impacto económico da pandemia de covid-19 em várias famílias.

 

Escola nunca fechou as portas em tempo de confinamento

Vários alunos que não tinham computador puderam assistir às aulas online no próprio estabelecimento, contando com o apoio de professores.

“A escola nunca fechou para estes alunos”, disse à Lusa.

Foram também disponibilizados equipamentos informáticos pela escola aos alunos que permaneceram em casa, com o apoio de particulares, empresas e da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa.

O estabelecimento garantiu, ainda, almoços para 50 estudantes carenciados, em regime de ‘take away’, e o número de alunos que beneficiavam de pequeno-almoço aumentou de 18, antes da pandemia, para os 45 atualmente.

 

Associação de pais elogia “grande empenho dos professores”

Ivone Pereira, da Associação de Pais e Encarregados de Educação, atribuiu o sucesso no ranking ao “grande empenho dos professores daquela escola”.

“Há professores que estão vinculados a Airães há muitos anos, um agrupamento pequeno, e há grande proximidade entre alunos e professores”, disse à Lusa.

Sinalizou, por outro lado, “o empenhamento dos pais” como outro fator importante.

“Quando há reuniões não falta nenhum. Os pais são empenhados e isso faz toda a diferença”, afirmou.

Ivone Pereira anotou, também, que durante o confinamento, “foram garantidas as refeições”.

“Distribuímos cabazes alimentares por famílias que até à data não sabíamos que tinham carências”, contou.

Em relação aos alunos que, por dificuldades de logística familiar ou falta de equipamentos informáticos, tiveram de recorrer à escola para a aulas “online,” o transporte, disse, foi assegurado pela Junta de Freguesia de Airães.

“A junta é dinâmica e tem completado o trabalho das associações e da escola”, concluiu.

 

 

Lara Teixeira e Gonçalo Astorga, alunos do 12.º ano, têm 17 anos. Os dois não beneficiam da ação social escolar, mas dizem ter colegas que são apoiados nesse contexto.

“Eles são muito apoiados e estão completamente integrados”, contou Gonçalo.

“São bons alunos”, acrescentou Lara, destacando que os colegas que beneficiam da ação social escolar participam em todas as atividades realizadas no estabelecimento.

Os dois sublinharam à Lusa que a integração dos colegas também se manifesta na sua participação em visitas de tudo graças aos apoios que recebem.

“Eles estão completamente integrados”, disseram ambos.