Expectativas (des)niveladas!

Os dados estão praticamente todos lançados para as eleições autárquicas de setembro. Pela análise dos episódios mais recentes da série Autárquicas Felgueiras – Temporada 2021: apresentação das listas e apresentação pública das candidaturas, as surpresas foram praticamente nulas na constituição das listas e no discurso político, confirmando-se maioritariamente as expectativas que, releve-se, estiveram sempre niveladas por baixo.

 

O PSD não foi capaz de efetuar uma profunda regeneração e renovação, muito por “culpa” das 3 alas que parecem existir: os que estão no e com o PSD e consequentemente com Vítor Vasconcelos, independentemente das pessoas, das dificuldades e do passado, alinhados na estratégia política para o concelho; os militantes desavindos com o PSD que desalinhou de Inácio Ribeiro e que espera/deseja o pior resultado possível; os apoiantes de Nuno Fonseca com olhos postos em 2025.

Além disso, apesar da oportunidade que parece representar as lideranças das candidaturas à Assembleia Municipal por parte de Leonel Costa, e a algumas freguesias, o PSD não evitou perder vários dos “seus” presidentes de Junta para o poder instalado. Algo, absolutamente “normal”, que se confirma a cada ciclo eleitoral autárquico.

Já a Nuno Fonseca, que lidera o Partido Socialista/Felgueiras, faltou a coragem para uma revisão necessária e que, pontualmente, pretendia, uma vez que a estabilidade traduzida na ausência de ruído nas hostes do Sim, Acredita! é valor fundamental para o presidente de Câmara. Da análise das listas da coligação PS/Livre, duas notas: o taticismo na ausência de Marco Silva (presidente da Comissão Política do PS/Felgueiras e membro do staff de apoio ao executivo CMF) e a demonstração do que espera de Miguel Faria ao colocá-lo no último lugar da lista ao Executivo, depois da já célebre atitude que relegou o histórico presidente de junta para fora da lista às últimas legislativas e da liderança da concelhia socialista.

Quanto às restantes candidaturas, importantes para o debate democrático: o CDS-PP irá marcar presença para não perder por falta de comparência, tendo escolhido uma figura histórica dos centristas felgueirenses, da linha de Carla Carvalho, procurando evitar perder a representatividade autárquica que tem tido nos últimos anos na Assembleia Municipal; a Iniciativa Liberal, que representa uma renovação geracional na política felgueirense, avaliará qual é, de facto, a sua expressão eleitoral no concelho, sendo certo que algumas das suas propostas fazem todo o sentido, e até já foram defendidas em outros momentos por outros partidos; quanto à CDU, apresenta-se a eleições com o objetivo de sempre: fixar eleitorado. Já quanto ao Chega, não bastando a alteração de cabeça de lista, é difícil perceber realmente onde situará o seu discurso, até porque algumas das bandeiras do partido a nível nacional poderiam ser aproveitadas na oposição à atual governação autárquica.

Sobre as sessões públicas já realizadas de apresentação de candidaturas, destaque para a o evento de Nuno Fonseca (coligação Partido Socialista/Livre) com três notas que me parecem relevantes: (i)  estranhar a forma acintosa e de tom crispado que Nuno Fonseca resolveu assumir, quando é reconhecido e notório que parte para este ato eleitoral autárquico em ótimas condições de renovação de mandato por vários motivos, entre os quais as fragilidades da oposição; (ii) estranhar o incómodo que as críticas discordantes causam na sua liderança – uma confirmação, porque ficou bem patente durante estes quatro anos de mandato a dificuldade de convivência com a crítica e a liberdade de opinião -; (iii) relevar a forma como Nuno Fonseca criou um “exército” de apoiantes que no espaço mediático (principalmente nas redes sociais) segue um dos princípios de A Arte da Guerra de Sun Tzu: “Por influência moral, entendo aquilo que faz com que os povos estejam em harmonia com os seus dirigentes, de modo que lhes obedecerá, quer eles os enviem para a morte ou os deixem viver, sem medo dos perigos”…

Sobre os primeiros dias de pré-campanha, o tema político principal tem sido o endividamento municipal. De facto, este é mesmo um tema importante e, por isso, fica para a próxima crónica de opinião.

Como aperitivo, fica a nota que de facto Inácio Ribeiro contraiu um empréstimo de 5,2 milhões de euros no final de 2016, aprovado então também por agora figuras destacadas do PS/Livre, e maioritariamente executado por Nuno Fonseca, sendo que existia a possibilidade de não o fazer, até porque é um empréstimo condicionado à execução de um programa de investimentos e não de entrada de dinheiro em “caixa”.