FAFE: Independentes negam que tenha chegado a haver acordo com o PSD

O primeiro vereador do movimento “Independentes por Fafe”, segunda força no executivo, rejeitou hoje a acusação do PSD de que teria rompido o compromisso de ser candidato por aquele partido nas autárquicas deste ano.
Parcídio Summavielle confirmou ter sido convidado por dirigentes locais e distritais do PSD, em agosto do ano passado, para discutir uma eventual candidatura, mas que algumas horas depois terá respondido “perentoriamente” que não aceitava.
Frisou também que se houvesse um compromisso teria de ser escrito e só depois de os órgãos do movimento se pronunciar, o que nunca aconteceu.

reunião de câmara Fafe3

Parcídio aludiu, a propósito, a declarações suas e de dirigentes do PSD, feitas em outubro à imprensa local, em que as duas partes afirmavam não haver decisões tomadas sobre as autárquicas e que ele próprio não seria candidato.
A declaração do vereador aconteceu na reunião de câmara de hoje, depois de os dois eleitos do PSD terem comunicado que entregariam os seus pelouros ao presidente da câmara, Raul Cunha (PS), terminando assim a coligação que governava o concelho desde o final de 2013.
O primeiro vereador social-democrata, Eugénio Marinho, explicou que a decisão dos eleitos sociais-democratas decorre do facto de o presidente da autarquia ter anunciado, na semana passada, um acordo eleitoral com o líder dos independentes, atualmente na oposição, para as próximas autárquicas.
“O senhor já não precisa do PSD”, afirmou, recordando que o acordo de coligação celebrado com o PS, partido que vencera sem maioria absoluta, no início de mandato, só aconteceu para garantir a estabilidade e governabilidade da autarquia.
Eugénio Marinho criticou ainda o presidente da Câmara por ter feito um acordo com o movimento contra a vontade do PS local, com o apoio da direção nacional socialista.
O vereador do PSD acusou, por outro lado, o líder dos independentes de “falta de palavra e caráter”, insistindo que havia um compromisso para que Parcídio liderasse a candidatura social-democrata nas próximas autárquicas, no âmbito da qual, na presença de dirigentes distritais, frisou, chegaram até a ser discutidas as listas para os órgãos autárquicos.
“Isto é inadmissível, isto não é digno. Até ao último minuto nunca me disseste que ias com o doutor Raul”, afirmou, voltando-se para o vereador independente.
Já sobre o acordo celebrado entre socialistas e independentes, o vereador do PSD disse “lastimar” que “se apresentem às próximas eleições com tanta falta de dignidade”. O segundo vereador do PSD, José Manuel Batista, acrescentou que “este processo teve o mérito de revelar o caráter dos intervenientes” e o “lado porco da política”.
O presidente da Câmara apelou à contenção verbal, recordando que, em última análise, o que os eleitores vão julgar é o trabalho do executivo.
Agradecendo o trabalho que os vereadores do PSD realizaram no atual executivo, recordou, a seguir, que o acordo celebrado na semana passada com os independentes reporta ao próximo mandato e que, por isso, ainda não decidiu o que vai acontecer com os pelouros até agora detidos pelos sociais-democratas.
Raul Cunha recusou também a ideia de haver “dois partidos socialistas no concelho” e que o acordo é “uma decisão do Partido Socialista”.
Na sala, a assistir à reunião, encontrava-se o líder local do PS e ex-presidente da Câmara, José Ribeiro, que não apoia a recandidatura de Raul Cunha, imposta pela direção nacional, que avocou o processo.
O Secretariado concelhio do PS anunciou recentemente que vai impugnar a decisão da Comissão Política Nacional, por considerá-la ilegal, reafirmando ter decidido, por unanimidade, “levar até às urnas a candidatura de Antero Barbosa e de a fazer vencedora”.

APM // JGJ

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