Faltam 30 dias

Com os felgueirenses a banhos como habitualmente na segunda quinzena de agosto, as máquinas partidárias, embora a meio gás, continuam atentas ou não estivéssemos apenas a um mês das eleições. E por aquilo que se vê, há candidaturas que querem dar tudo até ao final.

 

Em jeito de balanço, a 30 dias das eleições, os partidos mais à direita vão fazendo o que podem para não ficar para trás. O partido de extrema-direita, Chega, limita-se a uma divulgação nas redes sociais das intervenções do desventurado líder, não partilhando ideias, propostas e objetivos para Felgueiras. A estratégia é cavalgar na imagem e nos seguidores do líder, verificar o eleitorado para as legislativas, procurando um panorama nacional mais do que os resultados locais. E o Chega Felgueiras resume-se a isso. A Iniciativa Liberal continua a estratégia de comunicação nas redes sociais, entre um estilo jocoso, que já se viu não colher muitos adeptos, e a apresentação das suas medidas. Algumas das medidas são verdadeiramente ideológicas, querendo o partido discutir esse tema numas eleições autárquicas onde a experiência e a constatação de alguns anos me permitem dizer que a ideologia nestas eleições não conta muito (ou nada). Só as eleições dirão se valeu ou não a pena manterem-se irredutíveis nessa posição. Tal como o Chega, a iniciativa Liberal terá tendência a verificar o eleitorado que conseguiu aumentar desde as últimas eleições legislativas (219 votos). Quanto às propostas, basta observar a que têm para a Educação. Propõem gastar 14,4 milhões de euros em 8 anos, com 800 alunos que representam apenas 10% do total, para que possam estudar em colégios privados fora do concelho, porque em Felgueiras não há. Para lá da má ideia de financiar privados com dinheiros públicos, qual género PPP, iriam tirar a possibilidade de os outros 90% terem o mesmo benefício. Depois, é fazer com que os que foram escolhidos fiquem privados dos apoios sociais que o Município criou no anterior executivo, mas que este aumentou em muito, como se viu durante a pandemia e nos do ano letivo que aí vem. Dito isto, resta o valor. Primeiro, gostava de saber onde iriam buscar esse valor, segundo, será que fazem a mínima ideia do que se podia fazer se o orçamento da Educação fosse aumentado em 14,4 milhões de euros? A quantidade de medidas para as pessoas, como gostam de dizer, que se podiam fazer? Parece que não. E só por perfeito radicalismo ideológico se mantém uma proposta destas.

O CDS-PP segue também a estratégia do partido e não da candidata. Aposta mais na imagem do partido e em propostas que vão de encontro ao propósito ideológico e não mais abrangentes procurando outros eleitorados. A demasiada conotação da candidatura com o partido (cores, símbolos) pode afastar eleitores descontentes que não se revendo na candidatura do seu partido originário, procurariam um voto útil. O PSD continua num processo autofágico. Depois de uma candidatura que teve que assumir mas não queria, o líder da concelhia e candidato ainda teve dificuldades em elaborar as listas que queria. Viu nomes, que têm a ambição de chegar a mais altos voos, recusarem fazer parte da lista à câmara municipal apenas porque há uma estratégia bem definida e delineada para 2025, não para estas eleições. Há gente que se afasta publicamente da vida política, mas com os dois pés lá dentro à espera das próximas, porque para muitos, infelizmente, as próximas é que são. O “pior”, para essa “ala dos namorados”, era se acontecia o que aconteceu a Inácio Ribeiro, quando poucos acreditaram e ganharam as eleições. Durante o mandato assistiríamos a golpes a Vitor Vasconcelos como aconteceu a Inácio Ribeiro? Depois houve a necessidade (vontade?) de trazer de volta pessoas expulsas do partido a nível nacional, que até encabeçam listas candidatas à maior união de freguesias do Tâmega e Sousa, com cerca de 17 mil eleitores e um orçamento de quase um milhão de euros. As escolhas partidárias são da responsabilidade das comissões políticas, mas noutro tempo, critérios de ordem de “ficha limpa”, como dizem os nossos irmãos brasileiros, eram obrigatórias tanto do ponto de vista da intervenção pública, como dos comportamentos enquanto cidadão. Só as eleições dirão se foi ou não uma boa aposta. Quanto às propostas, estas não diferem muito daquilo que foi a linha condutora do PSD no passado, destacando as relacionadas com a área ambiental e de sustentabilidade.

O Sim, Acredita, coligação que suporta a maioria no executivo manteve a equipa para as eleições, seguindo a velha máxima de que em equipa vencedora não se mexe. A candidatura goza ainda de bastante aceitação junto da população e o já “normal” poder de atração de alguns presidentes de junta pelo poder, levaram a mudanças de equipa (só este tema e a presença, ou não, dos presidentes de junta nas Assembleias Municipais dá para outra crónica). Este fenómeno não é de agora, já nos tempos idos de Fátima Felgueiras acontecia e é transversal a todos os partidos merecendo reflexão. Como é poder, Nuno Fonseca tem tempo para apresentar as suas propostas e ideias para continuar o trabalho por mais quatro anos e fazer chegar ao eleitorado com a máquina oleada e sem brechas. Teremos que aguardar mais uns dias.

Mas que ninguém dê por garantidas vitórias ou derrotas, grandes combates há por fazer a nível das uniões, freguesias e câmara municipal. Certezas só no dia das eleições.