Felgueiras com dispositivo para idosos abraçarem familiares em segurança (C(Vídeo)

“Foi um momento especial, quando a gente sente que as pessoas que têm estado isoladas precisam, de facto, destes abraços. Uma pessoa que pede o meu abraço é isto que nós, enquanto autarcas, também entendemos como reconhecimento do carinho que as pessoas têm por nós”, comentou Nuno Fonseca | FOTO: Armindo Mendes

Foi com a canção “Dá-me um abraço”, de Miguel Gameiro, cantada pelo próprio no local, que a Câmara de Felgueiras apresentou hoje uma estrutura que permite aos idosos abraçar, em segurança, as pessoas de quem mais gostam.

Simbolicamente, uma idosa de 84 anos, Glória Sousa, solteira, que vive sozinha há décadas na freguesia de Macieira da Lixa, abraçou o presidente da câmara, Nuno Fonseca, “um momento de afetos”, como comentou o autarca, aos qual assistiram as equipas socais do município e os militares da GNR que têm acompanhado os idosos que vivem sozinhos em tempo de pandemia.

 

FOTO: Armindo Mendes
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Emocionada, Glória Sousa contou que se sente mais isolada desde que começou a pandemia de covid-19, devido ao maior afastamento dos familiares.

É um senhor que é amigo dos pobres”, acrescentou a idosa, quando explicava porque escolhera o abraço ao presidente da câmara.

Depois do presidente, também um militar da Guarda que trabalha no projeto “Idosos em Segurança”, deu um abraço à octogenária, um gesto aplaudido por quem assistia ao momento simbólico.

FOTO: Armindo Mendes
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“Têm desenvolvido um trabalho fantástico e incansável”, comentou o autarca, referindo-se aos militares da GNR.

FOTO: Armindo Mendes
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Miguel Gameiro enalteceu a iniciativa, sublinhando o simbolismo da canção “Dá-me um abraço”, que interpretou ao vivo, tocando a sua guitarra, em frente à casa da idosa, um momento relevante por ter permitido, disse, o contacto com pessoas numa altura em que os artistas têm sido obrigados a recorrer quase sempre ao digital para chegarem ao seu público.

A estrutura física utilizada neste projeto do município consiste num acrílico com reentrâncias em plástico, previamente desinfetada, para as pessoas meterem os membros superiores que permite abraços, sem haver verdadeiro contacto físico, estando assim assegurada a segurança do gesto, em tempo de pandemia de covid-19, segundo a empresa que desenvolveu o dispositivo.

O dispositivo tem sido usado desde o dia 05 de março, nos lares do concelho, para permitir o reencontro de familiares com o seus pais e avós institucionalizados e, a partir de hoje, vai percorrer o concelho, casa a casa, para os idosos que vivem sozinhos poderem abraçar quem desejarem.

“Foi um momento especial, quando a gente sente que as pessoas que têm estado isoladas precisam, de facto, destes abraços. Uma pessoa que pede o meu abraço é isto que nós, enquanto autarcas, também entendemos como reconhecimento do carinho que as pessoas têm por nós”, comentou Nuno Fonseca, em declarações aos jornalistas.

O edil acentuou que aquele gesto com Glória Sousa significa “um abraço a todos os idosos do concelho e de todo país, neste abraço solidário, acima de tudo, àqueles que estão mais necessitados”.

FOTO: Armindo Mendes
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José Carvalho, tenente da GNR, em declarações aos jornalistas, disse que o trabalho dos militares tem sido “preponderante no acompanhamento desses idosos”, frisando que no concelho de Felgueiras há cerca de 35 referenciados.

“Muitas vezes, no nosso patrulhamento diário, até apoiamos em ações domésticas que eles necessitam, mantendo todas as regras de segurança. Também os alertamos para questões de burlas, de pessoas que tendem a visitá-los com um caráter de malícia”, acrescentou, sublinhando que a secção de policiamento comunitário existe em todos os destacamentos territoriais, a nível nacional, visando “o acompanhamento dos idosos, das escolas e também do comércio em segurança.

No destacamento de Felgueiras, que engloba os concelhos de Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras, anotou, estão referenciados 85 idosos que recebem esse acompanhamento.

“Somos sempre bem recebidos, sempre com um sorriso na cara, o que faz enaltecer a nossa missão”, concluiu o graduado.

Texto e fotos: Armindo Mendes/Lusa