Felgueiras, Vizela e Fafe exigem solução técnica para a poluição no Vizela

Os presidentes das câmaras de Felgueiras, Vizela e Fafe defenderam hoje, na Assembleia da República, a necessidade de uma solução técnica eficaz que acabe definitivamente com o problema da poluição do rio Vizela.

 

Para os três autarcas ouvidos pela Lusa, depois de terem participado numa audição sobre o tema na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, o funcionamento da estação de tratamento de águas residuais (ETAR) de Serzedo constitui a questão central do problema.

FOTO: Armindo Mendes
FOTO: Armindo Mendes

O presidente da Câmara de Felgueiras mostrou-se preocupado com o funcionamento da ETAR de Serzedo, para onde drena parte dos esgotos do concelho, recordando que no contrato de concessão que conduziu à construção daquele equipamento estava prevista a execução de um emissário, na margem esquerda (do lado de Felgueiras), que nunca aconteceu.

Segundo Nuno Fonseca, aquele emissário, cuja construção considera essencial, poderia ajudar a resolver o problema dos afluentes naquele ponto do rio, além de facilitar os investimentos que a autarquia tem vindo a fazer ao nível do saneamento básico.

O presidente de Felgueiras indicou, por outro lado, que a câmara tem atuado para identificar focos de poluição no rio Vizela.

Vítor Hugo Salgado referiu que, como presidente da câmara, não poderá apelar ao voto numa das datas, mas como cidadão, prometeu, apoiará a manutenção do dia 19 de março como feriado municipal de Vizela

O presidente da Câmara de Vizela, Vitor Hugo Salgado, tem liderado a contestação pública ao funcionamento daquele equipamento da empresa de capitais públicos Águas do Norte, que considera ser o principal foco poluidor daquele afluente do rio Ave.

Em declarações à Lusa, o edil de Vizela disse que apresentou aos deputados o dossier que a câmara reuniu sobre o problema, “com todos os dados”, incluindo fotografias, análises á água e vídeos que, acentuou, comprovam o problema das emissões poluentes da ETAR lançadas para o Vizela.

O autarca recordou que a solução pode passar pela construção de um emissário que ligue a ETAR de Serzedo (Guimarães) à ETAR de Lordelo, no mesmo concelho, de acordo com um projeto já executado, mas para o qual não há ainda financiamento.

Vítor Hugo Salgado disse esperar que esta audição no parlamento, que agradeceu, constitua mais um passo para a resolução do problema, com o “envolvimento empenhado” dos deputados daquela comissão, reafirmando que a sua autarquia recomendará o boicote às eleições presidenciais se a situação não for, entretanto, resolvida.

Raul cunha nós de arões 2

O presidente da Câmara de Fafe, que também preside à Comunidade Intermunicipal do Ave, recordou à Lusa que a poluição de Vizela é um problema transversal a vários municípios, porque se trata do principal afluente do rio Ave.

Raul Cunha assinala que o problema está, de facto, na ETAR de Serzedo e o facto de drenar num ponto do rio que tem, sobretudo no verão, pouco caudal, situação que se acentuou nos últimos anos, agravando as queixas.

O autarca de Fafe admite que a solução pode passar por um emissário ligando à ETAR de Lordelo, mas sublinhou que essa possibilidade não pode nunca significar transferir o problema de um município para o outro. Raul Cunha espera ser possível encontrar as melhores soluções técnicas para resolver o problema, “sem prejudicar ninguém”.

Anotou, depois, que os dinheiros disponíveis para o setor do ambiente nos próximos anos podem ajudar a resolver o problema, articulando a Agência Portuguesa do Ambiente e os municípios do Vale do Ave.

Em relação aos focos poluidores do rio no seu concelho, onde nasce o Vizela, nomeadamente algumas indústrias do setor têxtil, disse que a situação está hoje “muito melhor” do que no passado, o que se deveu ao incremento das ações de fiscalização e acompanhamento constante por parte da autarquia e das autoridades.

Armindo Mendes/Lusa