Hospital de Penafiel com dezenas de doentes internados nas urgências

Júlio Pereira, dos Bombeiros de Felgueiras, disse à Lusa que o tempo de espera de um doente com pulseira amarela é de 10 horas. Anotou, ainda, que face à sobrecarga de serviço, há doentes adultos que estão a ser atendidos em pediatria.

FOTO: Lusa

A urgência de Penafiel teve ao fim da manhã de hoje entre 50 a 70 doentes internados, alguns em macas de ambulâncias e tempos de espera de várias horas, segundo os bombeiros da região.

 

“Aquilo é quase uma medicina de guerra”, comentou à Lusa o comandante Alexandre Pinto, da corporação de Baião, referindo-se aos constrangimentos observados, quando, às 12:30, se encontravam “mais de 50 doentes” na urgência do Hospital Padre Américo.

Só a triagem, anotou, demora cerca de 30 minutos e as ambulâncias ficam retidas várias horas.

“Hoje de manhã estavam lá 25 ambulâncias”, referiu, explicando que o serviço não tem capacidade para atender tantas ocorrências, a maioria do foro respiratório.

A urgência do Hospital Padre Américo é a única com capacidade médico-cirúrgica do Centro Hospital do Tâmega e Sousa (CHTS), que inclui também o Hospital de São Gonçalo, em Amarante, onde funciona uma urgência básica.

Também os bombeiros de Castelo de Paiva têm enfrentado dificuldades nos últimos dias, quando transportam doentes para Penafiel, o hospital de referência.

À Lusa, o comandante Joaquim Rodrigues indicou ter conhecimento do caso de uma ambulância que ficou retida 12 horas, porque as macas estavam a ser utilizadas pelo hospital.

Na manhã de hoje, contou, chegou a ter três ambulâncias no hospital, mas também de um caso encaminhado para Arouca pelo CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), por falta de capacidade de Penafiel.

 

PENAFIEL E AMARANTE CONFIRMAM CENÁRIO

 

Os comandantes de Felgueiras e de Amarante, ouvidos pela Lusa, confirmaram o cenário de grandes dificuldades no hospital de Penafiel.

Júlio Pereira, de Felgueiras, disse à Lusa que o tempo de espera de um doente com pulseira amarela é de 10 horas. Anotou, ainda, que face à sobrecarga de serviço, há doentes adultos que estão a ser atendidos em pediatria.

Rui Ribeiro, de Amarante, afirmou ter conhecimento das dificuldades no Padre Américo, mas ressalvou que o hospital de São Gonçalo, em Amarante, que também integra o CHTS, tem conseguido dar resposta à maioria das situações, com um tempo de espera normal nesta altura do ano.

Quanto a Penafiel, para onde são encaminhados os doentes que carecem de cuidados mais especializados, o tempo de espera é acima do normal, admitiu.

O comandante de Marco de Canaveses, Sérgio Silva, fala de uma situação muito complicada para a sua corporação provocada pela falta de capacidade do hospital.

Nas últimas horas, contou, teve uma ambulância retida no hospital de Penafiel, das 6:30 às 11:00, porque o doente estava na maca da ambulância, no interior da urgência.

“Isso não pode acontecer ficarmos sem a ambulância tanto tempo. Isso coloca-nos muitos problemas nos meios disponíveis para prestarmos socorro à população”, sinalizou.

As dificuldades em Penafiel, acrescentou, têm obrigado também a um maior número de transportes de casos urgentes para os hospitais do Porto, o que retém ambulâncias entre cinco a seis horas.

A Lusa contactou a direção do CHTS para obter uma reação ao cenário relatado pelas corporações de bombeiros, mas não obteve resposta até ao momento.