Iniciada auditoria externa às contas da Cooperativa Agrícola de Felgueiras

Segundo Casimiro Alves, presidente da direção, o trabalho foi encomendado a uma empresa da especialidade, prevendo-se que esteja concluído em setembro

As contas da Cooperativa Agrícola de Felgueiras já começaram a ser auditadas por uma entidade externa para apurar os contornos do desfalque de 197.000 euros detetado em 2013, avançou hoje à Lusa o presidente da instituição.

Segundo Casimiro Alves, o trabalho foi encomendado a uma empresa da especialidade, prevendo-se que esteja concluído em setembro.

“Já começaram a levar centenas de documentos”, disse, sublinhando que o trabalho vai incidir sobre a gestão dos últimos 10 anos.

Casimiro Alves disse à Lusa que a sua direção entendia não ser necessário avançar para uma auditoria externa, por ter a máxima confiança na auditoria interna realizada pelo Revisor Oficial de Contas, na qual se apurou o desfalque de 197.000 euros.

Contudo, segundo o dirigente, os associados decidiram em assembleia geral que se justificava a auditoria externa, o que foi aceite pela direção.

“Não temos nada a esconder e não queremos que fiquem quaisquer dúvidas deste processo”, acentuou, frisando que a situação detetada transitou do período em que a instituição era liderada por outra direção.

O presidente da direção acrescentou: “Não queremos que digam que temos algo a esconder. Queremos que fique tudo transparente sobre a nossa gestão e gestões anteriores”.

Inicialmente, no âmbito da auditoria interna, apurou-se um desfalque de 120.000 euros, que se reportava aos anos de 2012 e 2013.

O restante, entretanto apurado numa segunda fase da auditoria, tem a ver com situações sinalizadas em 2010 e 2011. Em 2008 e 2009, nada de anormal foi detetado.

A auditoria externa agora iniciada vai custar à instituição 40.000 euros, um custo que, apesar de elevado, segundo o dirigente, não comprometerá o equilíbrio financeiro da Cooperativa Agrícola de Felgueiras, graças à sua boa saúde financeira.

Em 2013, disse, a cooperativa deu cerca de 300.000 euros de lucro e diminuiu a dívida à banca, o que está a ser prosseguido em 2014.

O desfalque detetado após o verão de 2013 na instituição traduziu-se no despedimento de dois funcionários, tendo um deles devolvido 75.000 euros à instituição.

Entretanto, segundo o dirigente, a Polícia Judiciária vai também iniciar perícias financeiras para apurar responsabilidades criminais sobre o desfalque.

“Temos conhecimento de que a PJ irá realizar uma peritagem contabilística e uma auditoria, feita pelos serviços técnicos, para verificar os factos e para os apresentar perante a justiça”, disse.

Para o dirigente, a situação não prejudicou a imagem da Cooperativa Agrícola, que é uma das maiores do país.

“A imagem da cooperativa sai credibilizada. Estamos a limpar e a pôr isto mais credível”, sublinhou.

 

APM // JGJ

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