José Campos deixa o comando dos Bombeiros da Lixa após 36 anos de liderança

O comandante dos Bombeiros da Lixa, José Campos, vai deixar de exercer aquelas funções a partir de sábado, 38 anos depois de se ter tornado bombeiro e após 36 em funções de comando na corporação.

“Tenho um sentimento de dever cumprido graças ao sacrifício e disponibilidade do corpo de Bombeiros da Lixa”, comentou hoje, em declarações à Lusa.

José Campos, atualmente com 65 anos, é um dos mais prestigiados bombeiros do norte do país, o que foi reconhecido em 2014 quando foi agraciado com o Crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses das mãos do então ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.

A poucos dias de deixar o comando e de passar ao quadro de honra, disse estar satisfeito com o trabalho que realizou “ao longo de tantos anos”.

Campos ingressou na corporação em novembro de 1978. Esteve dois anos como bombeiro auxiliar, 21 anos como segundo comandante e os restantes 15 nas atuais funções.

A sua idade atual, explicou, permitia manter-se no comando até março de 2017, mas decidiu deixar já o cargo “para facilitar uma passagem tranquila”.

“Sinto também um aperto no coração pela saudade que vai deixar. Vou procurar disponibilizar o tempo livre à família, que sempre me apoiou, mas que foi sacrificada ao longo destes anos”, comentou, emocionado.

José Campos é também muito conhecido entre a comunidade de bombeiros portugueses pelo desempenho em funções de secretário técnico na Liga de Bombeiros Portugueses, onde também foi vogal do Conselho Executivo.

Na Escola Nacional de Bombeiros foi vogal da direção e foi assessor técnico do Serviço Nacional de Bombeiros e Proteção Civil. Foi também vice-presidente da mesa da Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto.

Atualmente, desempenha os cargos de conselheiro superior do Conselho Executivo da Liga e secretário da Assembleia-Geral da Escola Nacional de Bombeiros, cargos que pretende manter até março de 2017.

Questionado sobre o que mais o marcou nos vários cargos que desempenhou ao serviço dos bombeiros, comentou: “O que me marcou positivamente foi a relação com os homens e mulheres que comandei, as muitos pessoas e bens que salvamos e o sofrimento que minimizamos”.

No plano negativo, destacou o facto de “muitas entidades não terem olhado para os bombeiros como deviam”, não lhes dando o devido valor.

Criticou também “a ingratidão de pessoas e de alguns dirigentes que esquecem rápido o trabalho feito pelos bombeiros”.

No dia 13 de novembro, José Campos vai ser homenageado no âmbito das comemorações dos 127 de atividade daquela corporação do concelho de Felgueiras e uma das mais antigas do distrito do Porto.

Armindo Mendes

C/Sandra Teixeira