José Campos, ex-vereador em Felgueiras, diz que a Lixa devia ser vila (C/VÍDEO)

"Temos de ser sérios e coerentes. O título de cidade não trouxe nada de novo, o que contraria o velho sonho dos velhos lixenses", frisou Campos

O ex-vereador da Câmara de Felgueiras, José Campos, defendeu que a Lixa, cidade desde 1995, volte a ser vila, porque o novo estatuto foi “uma ilusão e não trouxe nada de novo”.

“Fazia sentido que o movimento fosse ao contrário. Vamos humildemente baixar o título e constituir-nos num grupo mais unido e seremos mais fortes e respeitados”, defendeu, acrescentando:

“Temos de ser sérios e coerentes. O título de cidade não trouxe nada de novo, o que contraria o velho sonho dos velhos lixenses”.

À Lusa, o antigo vereador admitiu estar a ser “politicamente incorreto”, mas recordou que a área urbana da Lixa “estagnou” desde meados da década de 90.

“O sonho era que o título de cidade pudesse conceder-lhe um alargamento que não aconteceu”, observou.

José Campos explicou que sua posição também decorre da recente “expurgação” de duas freguesias (Macieira da Lixa e Santão) que estavam agregadas à cidade da Lixa, na sequência da recente reforma administrativa.

“Com essa diminuição, acho que, humildemente, devemos fazer com que este território, que agora se consubstancia em duas freguesias, passe a ser a vila da Lixa”, declarou.

Se tal ocorresse, acrescentou, “todos os lixenses passariam a ter uma forma mais convincente de se afirmarem como verdadeiros lixenses”.

Para o antigo autarca, que residente na Lixa há mais de 40 anos, a menor dimensão do atual território, formado pela União de Freguesias de Vila Cova da Lixa e Borba de Godim, retirou força e poder de influência junto da Câmara de Felgueiras.

José Campos é comandante dos Bombeiros da Lixa e presidente da Casa do Povo de Borba de Godim, uma das maiores instituições de solidariedade social do concelho de Felgueiras.

Aquela personalidade recordou à Lusa que muitos dos que há 19 anos “lutaram para que a Lixa fosse cidade” o fizeram porque “alimentavam o sonho” de o novo estatuto contribuir para a criação do concelho.

Campos admitiu que muitos lixenses, sobretudo os mais velhos, sentem “enorme frustração” por nunca ter sido criado o concelho da Lixa.

Olhando para os casos de “sucesso” dos novos municípios da Trofa e de Vizela, o antigo vereador disse acreditar que, se o concelho tivesse sido criado, a atual cidade da Lixa seria hoje maior e teria mais infraestruturas e equipamentos.

Voltando à questão da perda de importância no contexto do território, o ex-autarca criticou os lixenses que, no passado, quando estavam na oposição [PSD], até defenderam a criação do concelho e agora, que até estão na Câmara de Felgueiras, não reconheçam que a Lixa “perdeu importância”.

A propósito, censurou o “taticismo” do PSD e do PS locais por não terem aproveitado a recente reforma administrativa para dar uma nova configuração ao concelho, criando grandes freguesias, partindo dos principais quatro centros urbanos (Margaride, Lixa, Barrosas e Longra).

“O ex-ministro Relvas tinha muitos defeitos, mas aqui paga uma fatura que não lhe é devida. Ele pôs as decisões nas mãos do povo, mas os reesposáveis locais é que não assumiram as suas responsabilidades”, concluiu.

 

APM.

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