Júlio Faria “desencantado” com resultados da Valsousa (C/ÁUDIO)

O antigo líder da associação de municípios justifica que “não foram dados, a quem está nas autarquias, os meios necessários para poder corresponder e também aglutinar as boas vontades”

FOTO: Armindo Mendes

O fundador da Associação de Municípios do Vale do Sousa e ex-autarca de Felgueiras, Júlio Faria, disse à Lusa estar “desencantado” com os resultados daquele projeto que este ano assinala o 25º aniversário.

“Há um certo desencanto e perdeu-se um certo espírito associativo”, comentou, em jeito de balanço do trabalho realizado pelos municípios da região ao longo de duas décadas e meia.

Para o ex-autarca, o agrupamento de autarquias ficou “aquém do desejado, não por culpa dos autarcas”, mas porque “não aconteceu a descentralização que todos ambicionavam”.

Júlio Faria foi o primeiro presidente da Valsousa, como se designa aquela associação que reúne, desde 1999, os municípios de Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Penafiel, Paredes e Castelo de Paiva.

O antigo líder da associação de municípios justifica que “não foram dados, a quem está nas autarquias, os meios necessários para poder corresponder e também aglutinar as boas vontades”.

“Julgo que a parte final do governo do professor Cavaco Silva e os governos que se seguiram deixaram muito a desejar em termos de uma efetiva descentralização que obrigasse as associações de municípios a apresentarem objetivos corretos para se candidatarem aos apoios necessários”, considerou

À Lusa, o antigo líder da Valsousa defendeu que “seria necessário delegar a quem estava mais próximo do terreno a possibilidade de desenvolver o seu espaço regional”.

Lembrou, por outro lado, que a constituição da associação, em julho de 1999, foi a concretização de um sonho da região, que começou a ser trabalhado, vários anos antes, no âmbito do Gabinete de Apoio Técnico (GAT), em Penafiel.

Foi naquele espaço que, no período após a adesão à CEE, os presidentes das seis câmaras municipais, sensibilizados por técnicos da Comissão de Coordenação da Região Norte, perceberam a importância de se associarem, para os respetivos municípios poderem aceder aos fundos europeus.

Do ano da fundação até 1994, quando foi realizado, em Lousada, o primeiro congresso do Vale do Sousa, comentou Júlio Faria, “a associação de municípios afirmou-se e divulgou-se em todas as estruturas e setores do seu espaço regional”.

Duas décadas depois, olhando para o percurso da Valsousa, o ex-autarca ainda evidencia a importância do congresso, por lá ter sido apresentado e discutido o estudo estratégico que sinalizou fragilidades e potencialidades do território.

“Foi um momento ímpar para mim. Nunca tinha vivido um momento semelhante, que foi sentir que um espaço regional com 300.000 pessoas estava debruçado sobre um trabalho regional que foi abordado nesses dois dias de congresso”, assinalou.

Daquela reunião emergiram os grandes eixos da atuação da Valsousa: ambiente, com a erradicação das lixeiras, tratamento de efluentes e abastecimento de água, acessibilidades, com as ligações por autoestrada ao litoral, educação e formação profissional, com a construção de novas escolas e políticas de combate ao abandono escolar.

Ainda hoje, projetos da Valsousa como a Ambisousa (empresa que gere os aterros sanitários de Lustosa e Rio Mau), a Rota do Românico, atualmente com 58 monumentos, e o Vale do Sousa Digital, que modernizou os municípios, são reconhecidos pelo impacto positivo que tiveram no território.