Lixiviados de aterro industrial de Sendim tratados por empresa especializada

A Câmara de Felgueiras informou hoje que a ETAR do concelho que tem recebido os lixiviados do aterro industrial, recentemente encerrado pelo Ministério do Ambiente, não procede a qualquer tratamento, que é assegurado por uma empresa especializada.

O presidente do município indicou à Lusa que tem sido utilizada a estação de tratamento de Idães, naquele concelho, um equipamento que estava desativado há vários anos e que agora serve exclusivamente para reservatório das águas residuais do aterro, decisão tomada, assinalou, por indicação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que tem acompanhado o processo.

A questão do aterro também foi tratada na assembleia municipal realizada na terça-feira à noite, num contexto de grande preocupação sublinhada por todas as bancadas.

Há cerca de duas semanas, uma inspeção da tutela determinou o encerramento imediato do aterro de resíduos da indústria de calçado, em Felgueiras, por incumprimento de normas ambientais.

Aterro de sendim Felgueiras3 resíduos calçado

A ação da Inspeção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) detetou “várias anomalias” no funcionamento do equipamento situado na localidade de Sendim.

Segundo o município, os inspetores identificaram situações de deficiente deposição e acondicionamento dos resíduos, para além de uma quantidade acima da capacidade do aterro.

O aterro sanitário de Felgueiras, propriedade do município, servia exclusivamente para a receção de resíduos não perigosos da indústria de calçado que predomina no concelho e era utilizado diariamente por dezenas de unidades fabris.

Na sessão de terça-feira da assembleia municipal, a primeira após o encerramento, o vereador Joel Costa precisou que aquela estação de tratamento foi escolhida entre as várias do concelho, por ser a que reunia melhores condições ao nível da impermeabilização, impedido o derrame de efluentes.

“É a ETAR mais estanque e não provoca qualquer dano ao ambiente”, sublinhou, quando questionado pelos deputados municipais.

O executivo assinala hoje que se trata de um recurso provisório, para evitar o derrame de efluentes na zona do aterro e contaminar os solos, o que chegou a acontecer, obrigando à atuação da autoridade policial, com o caso a correr atualmente nos tribunais.

Eduardo Teixeira assembleia municipal

Na sessão, o ex-vereador do PSD e atual deputado eleito nas listas do CDS-PP, Eduardo Teixeira, tinha alertado para a necessidade de ser encontrada uma solução que salvaguarde no presente e no futuro a saúde pública, mas também dê resposta às necessidades dos industriais do concelho, sobretudo os de pequena e média dimensão.

Recordou, a propósito, que maioria das empresas de calçado não tem condições financeiras para suportar os elevados custos de transporte dos resíduos para aterros fora do concelho.

Insistindo no apelo ao executivo, lembrou o cenário que se vivia no concelho na décadas de 80 e 90 do século passado, quando havia várias lixeiras de resíduos industriais a céu aberto, próximas de zonas habitacionais, comprometendo a saúde pública, algo que, alertou, poderá voltar a ocorrer se não for resolvido o problema atual.

Sobre o assunto, o presidente Nuno Fonseca defendeu que os problemas que se observam no aterro não devem ser usados para o combate político-partidário, porque se trata de “um assunto de salubridade pública”, o que foi corroborado pela oposição social-democrata.

O chefe do executivo recordou, porém, que herdou a situação do aterro da anterior gestão PSD, quando tomou posse em outubro de 2017.

“Nestes oito meses fizemos mais do que outros fizeram em oito anos e outros atrás também”, comentou, numa crítica implícita aos dois mandatos do PSD, mas também aos mandatos de Fátima

Felgueiras.

Nuno Fonseca Assemebleia municipal junho 2018 b

Nuno Fonseca afirmou estar de “consciência tranquila” e que está “a fazer tudo o que é possível para garantir a salubridade pública”.

“Tentámos eliminar os problemas que lá estavam, começando por tratar a questão dos lixiviados”, referiu, indicando que a preocupação maior atualmente é “dar cumprimento às exigências do Ministério do Ambiente”.

“O município está empenhado em arranjar soluções para que o aterro funcione, garantindo as condições de salubridade pública”, sinalizou.

Presidente da Junta de Sendim

O presidente da Junta de Freguesia de Sendim, José Silva, reiterou, por seu turno, as críticas ao anterior executivo camarário (PSD), acusando-o de não se ter preocupado com o problema durante oito anos.

“Os habitantes da freguesia sofrem todos os dias, há muitos anos. Durante oito anos, Sendim foi esquecido”, exclamou, lembrando que o protocolo de compensações para a freguesia nunca foi cumprido.

O presidente da junta elogiou depois a atual gestão camarária, frisando que “finalmente houve alguém preocupado” com o problema de Sendim.

APM // JGJ

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