Luís Ramos (PSD) defende que Baixo Tâmega é “território de baixa densidade”

“O Tâmega e Sousa é uma das NUT III, dos territórios do país e da Europa menos desenvolvidas e com problemas de desenvolvimento mais graves”, considerou o deputado, em declarações à Lusa.

FOTO: Armindo Mendes

O deputado do PSD Luís Ramos considerou hoje haver concelhos do Baixo Tâmega e do Douro Sul que reúnem condições para beneficiar de políticas dirigidas, no futuro, aos “territórios de baixa densidade”.

“O Tâmega e Sousa é uma das NUT III, dos territórios do país e da Europa menos desenvolvidas e com problemas de desenvolvimento mais graves”, considerou, em declarações à Lusa.

O parlamentar e académico, natural de Amarante, que coordenou o relatório social-democrata sobre os “Territórios de Baixa Densidade e Elevado Potencial”, defendeu que os problemas estruturais que alguns municípios daquele território ainda apresentam devem beneficiar “da estratégia de desenvolvimento que o PSD propõe para o Portugal Interior”.

Segundo Luís Ramos, a estratégia deve assentar “na valorização dos recursos e na criação de emprego”.

O deputado recordou que o território do Tâmega e Sousa “tem duas realidades muito vincadas”, a primeira das quais, “mais rural, com condições económicas diferentes, que tem a ver com os municípios de Amarante, Marco, Baião, Cinfães, Resende e até Celorico de Basto”.

A segunda realidade, precisou, observa-se no Vale do Sousa, “com uma estrutura económica muito interessante, mas que tem problemas de outra natureza”.

Luís Ramos admitiu que ambas as realidades “precisam de intervenções específicas, mas de natureza completamente diferente”.

“No caso do Sousa, o desafio é qualificar a indústria e os recursos humanos e criar condições para aumentar a competitividade das empresas e dos territórios”, disse, apontando o sucesso de Felgueiras:

“É um bom modelo, porque, num momento de grande crise, as empresas conseguiram suportar esta competitividade e continuaram num crescimento que é extraordinário”.

Ao invés, no Baixo Tâmega e Douro Sul, os municípios “têm mais interioridade, num sentido mais clássico do termo”.

A demografia, o isolamento, uma economia muito rural e dependente do setor primário, com pouca valorização dos recursos e com pouca capacidade de iniciativa, de empreendimento, são indicadores que evidenciam as fragilidades estruturais do Baixo Tâmega

Apesar deste quadro, Luís Ramos defende que naquele território subsistem também realidades diferentes, incluindo à escala concelhia, assinalando que “o caso de Amarante é claramente um município onde há as duas realidades”.

Os concelhos de Amarante e Marco e Canaveses têm territórios urbanos e industrializados, mas, simultaneamente, também apresentam zonas mais rurais e isoladas.

“Por isso, entendemos que a definição [do Território de Baixa densidade] tem de ir à freguesia, para ser o mais correta possível”, vincou.

A concluir, o deputado recordou que o relatório elaborado pelo PSD “foi aprovado [pelo Conselho Nacional do partido] e está já a ser trabalhado pelo Governo e pelo grupo parlamentar”.

“Avançaremos muito rapidamente com um conjunto de iniciativas. Uma delas tem a ver com a aprovação do estatuto dos territórios de baixa densidade”, sinalizou.

Um programa de atração de investimento estrangeiro ao nível empresarial, para as regiões do interior, é outra medida preconizada no relatório.

 

APM.

Lusa/fim