Marketing de “fachada”!

O agendamento das eleições autárquicas para um período consequente às tradicionais férias de Verão tem um efeito negativo na discussão política, no interesse e no aprofundamento das propostas que cada candidatura tem para apresentar, principalmente em concelhos como o de Felgueiras, onde o quadro de candidaturas ficou concluído muito próximo da apresentação das listas no Tribunal, já no mês de agosto, sem que tenha havido tempo para que o debate político pré-férias fosse ativo, intenso, de verdadeira pré-campanha eleitoral ao contrário daquilo que acontece em municípios vizinhos! No nosso concelho esta falta de dinamismo pré-eleitoral é bem visível nos poucos outdoors existentes, nas poucas iniciativas realizadas durante este período – exclua-se aqui a atividade nas redes sociais que tem sido intensa mas que não chega à maioria do eleitorado onde é necessária uma presença “porta a porta” – , em que por vezes até se pressupõe/pressente um distanciamento e alheamento pouco aconselhável por parte dos cidadãos “comuns” que terão a 1 de outubro próximo o “poder” de decisão sobre que futuro pretendem para o concelho e para as suas freguesias. Estarão a ser criadas pelos atores políticos condições para que a taxa de participação seja menor, traduzindo-se num aumento da abstenção? E neste cenário quem poderá sair mais beneficiado? O poder ou a oposição?…

… A propósito de quem concorre e contra quem concorre, aqui há uns meses uma notícia de um jornal diário tinha como título: “Em Felgueiras todos concorrem contra Inácio Ribeiro”, aludindo principalmente às fraturas que causaram dissidências de personalidades relevantes na estrutura do PSD, e que agora estão integradas numa candidatura de oposição (Novo Rumo) ao atual executivo, em que assumem protagonismo e ação que poderá traduzir-se num bom e inesperado resultado. Mas então qual é o xadrez de candidaturas em Felgueiras para as Autárquicas de outubro/2017 no que à Câmara e Assembleia Municipal diz respeito? São cinco as candidaturas, sendo que apenas um partido concorre em nome próprio: o Juntos Pelo Povo liderado por Paulo Alves, numa candidatura improvável, mas que teve o condão de colocar na discussão um ou outro tema muito relevante. Quanto aos outros candidatos: Inácio Ribeiro, Nuno Fonseca, Rui Miranda e António Peixoto, lideram quatro candidaturas político-partidárias em coligação: PSD-PPM na coligação Manter a Esperança, CDS-Nós Cidadãos na coligação Novo Rumo, PCP-PEV na coligação CDU e Partido Socialista-Livre na coligação Sim, Acredita!.

Daqui se conclui que os dois Movimentos Independentes de Cidadãos (MIC e Sim, Acredita!) ficaram pelo caminho, não se apresentando a eleições, sendo que as razões para isso tenha acontecido são bastantes diferentes nos motivos e nas condicionantes. Confuso?… Existem motivos para tal reconheço! Quanto ao MIC liderado por Pedro Araújo existiu sempre a intenção declarada de negociar com os partidos da oposição uma candidatura autárquica, que esteve perto de acontecer pelo Partido Socialista, mas que veio num volte-face inesperado a traduzir-se na reconfiguração da candidatura do PS (por decisão da Distrital do PS/Porto) numa coligação partidária, o que permitiu a Nuno Fonseca assumir uma candidatura partidária mas mantendo o nome do movimento independente que antes liderava! Para que fique claro, isto não diminui em nada o valor do candidato, nem o potencial da candidatura, bem pelo contrário se for politicamente bem gerido, até porque eu sou um acérrimo defensor do valor dos partidos políticos e da incontornável necessidade da sua existência para garantia da sustentabilidade do modelo democrático em que vivemos. Embora com todos os contornos publicamente conhecidos sobre o processo autárquico do PS em Felgueiras, o Partido Socialista tem um histórico de enorme contributo ao concelho, tem uma base de apoio que não deverá ser desaproveitada, vive um momento político nacional muito positivo, e o trabalho político local dos últimos 4 anos nas Juntas de Freguesia, na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal deveriam funcionar como elemento positivo da candidatura da coligação PS-Livre.

Durante este mandato (desde o início destes 4 anos) os eleitos do Partido Socialista (que foram os únicos elementos da oposição a fazer ouvir a sua voz) nos órgãos municipais apresentaram e defenderam diversas propostas como: a revisão do PDM, a criação de balcões do munícipe em todas as juntas de freguesia, a criação de serviços de saúde de proximidade, a implementação da Via Verde no licenciamento segundo determinadas condições e pré-requisitos, a revitalização da Zona Empresarial de Várzea, a construção do Novo Cemitério Municipal de Felgueiras, a construção do Parque da Cidade, a expansão da rede de polidesportivos, alterações na cobrança de Derrama, redução da taxa da Parte Variável do IRS, manutenção da taxa de IMI no valor mínimo (ao contrário daquilo que este Executivo fez), etc., propostas a que o executivo liderado pelo Dr. Inácio Ribeiro não deu ouvidos, consubstanciando-se isto num concelho adiado, onde a única dinâmica é a económica resultado da iniciativa privada!

Este mandato do PSD traduziu-se, novamente, em adiamentos e em marketing de fachada de última hora. Exemplos: Parque da Cidade, Oficina das Artes Performativas!