Medicação ajuda a minorar problemas de défice de atenção nas crianças – especialista

O conhecido neuropediatra, Nuno Lobo Antunes, defendeu hoje, em Felgueiras, na abertura da II Jornadas da Saúde Pública em Contexto Escolar, que a medicação pode ajudar as crianças a minimizar o problema do défice e da hiperatividade.

Segundo Nuno Lobo Antunes, o défice de atenção e da hiperatividade é um problema médico e não social, sendo diagnosticado apenas pelo comportamento.

Segundo o especialista existem fatores de ordem biológica que ajudam a explicar o défice de atenção e da hiperatividade, sendo que os níveis de dopamina nas crianças com este quadro clínico são mais baixos que o normal.

A este propósito, explicou que uma utilização correta e devidamente orientada da medicação pode ajudar a repor esses níveis. Nuno Lobo Antunes afirmou discordar dos especialistas que sustentam que o uso da medicação pode interferir na personalidade dos hiperativos.

“A quantidade de miúdos que beneficiam da medicação é enorme”, afirmou, salientando que a medicação não cura estes problemas, mas minimiza estas situações e tem impactos positivos quer na vida familiar quer na vida social da criança/jovem mas também do seu agregado.

O neuropediatra esclareceu, na sua intervenção, que a questão do défice de atenção e da hiperatividade tem consequências sociais, sendo que a probabilidade das crianças hiperativas tornarem-se consumidoras de drogas é superior, os divórcios de pais com filhos hiperativos é também elevado assim como a gravidez na adolescência pode triplicar.

Nuno Lobo Antunes realçou ainda que a questão do uso da medicação tem sido abordada pelo ângulo errado e reconheceu que não existe excessos na medicação pelo que falar de exageros é não abordar corretamente a questão.