“Não sou político, sou um autarca!”

Recentemente, por múltiplas razões (por exemplo pelo estado a que chegou o estado da política concelhia) tenho andado a refletir nas razões para que alguém que tem uma vida profissional, académica, ou empresarial com sucesso aceite, ou tenha vontade de mudar o seu rumo para se envolver na política deixando para trás muitas das vezes projetos que estiveram consolidados algures no tempo, com objetivos claros de ocupar lugares em diferentes órgãos executivos.

 

Naturalmente, não incluo aqui neste grupo aqueles que aceitam ter intervenção em órgãos como a Assembleia Municipal ou as Assembleias de Freguesia, órgãos fiscalizadores da atividade de gestão autárquica, em que aqueles que lá estão o fazem fundamentalmente pelo serviço à causa pública, abdicando do seu tempo de descanso para participar nas atividades para que são convocados.

Existe uma resposta óbvia sobre as razões para alguém decidir tornar-se um político, e que em boa verdade deveria ser a razão principal e fundamental: servir a causa pública, com sentido de missão, sem qualquer interesse pessoal, nunca encarando os seus mandatos, os mandatos que lhes foram confiados nas urnas, como um emprego, um “trabalho”. Só que infelizmente, são vários os exemplos que confirmam que este princípio orientador, o não é…

São também conhecidos os exemplos, de que assim que pessoas com determinado perfil chegam ao poder, não se coíbem de criar redes de clientelismo, por exemplo: através da celebração generalizada de contratos por ajuste direto; através da nomeação para cargos políticos ou de direção na estrutura governativa; através da contratação para o quadro de pessoal, que cresce mais como consequência de gestão política do que por necessidades de operação. Por vezes a máquina do poder torna-se demasiadamente grande e com muitos “associados”! Mas nada é eterno, e muito menos o poder, pois os eleitores que o dão também o tiram, e são muitos os exemplos no País, e também em Felgueiras: Fátima Felgueiras que foi uma Presidente de Câmara inequivocamente transformadora na visão, na ação e na empatia que justamente granjeou por parte dos felgueirenses viu o seu tempo autárquico terminar, nas urnas… Isto reforça a ideia, de que todos aqueles que decidem em determinado momento da sua vida assumir um cargo político, devem ter bem claro que não é um emprego vitalício, nem deve ser assumido como uma porta giratória que leva os titulares de cargos públicos a assumirem uma carreira pública até alcançarem a reforma, política e profissional.

Nuno Fonseca é um político, que “aprendeu” depressa como gerir e influenciar politicamente

Quando já falta menos de um ano para as próximas eleições autárquicas, os políticos e os eleitores felgueirenses devem ser rigorosos: os primeiros sobre a razão ou razões para quererem assumir cargos executivos de gestão autárquica, e os segundos na avaliação e escolhas que deverão civicamente fazer!

A frase título deste texto de opinião foi dita pelo Presidente da Câmara Municipal de Felgueiras, mas não é claro se o disse convictamente, e se foi proferida pelo autarca ou pelo detentor do cargo autárquico. Aquilo que sei é que não tem qualquer adesão à realidade, e que não passa de um slogan de marketing populista, tentando mascarar aquilo que é uma realidade que já leva mais de 3 anos e que está à vista de todos, e que deixem também que o diga não tem absolutamente mal nenhum: Nuno Fonseca é um político, que “aprendeu” depressa como gerir e influenciar politicamente, controlando de forma inequívoca por exemplo o Partido Socialista em Felgueiras, na ação e na estrutura!