Número de utentes sem médico de família em Felgueiras está a diminuir

O vereador responsável em Felgueiras pela área da saúde disse hoje à Lusa que a criação da Unidade de Saúde Familiar (USF) na sede do concelho contribuiu para baixar o número de utentes sem médico de família.

Francisco Cunha, que exerceu medicina familiar no centro de saúde durante mais de três décadas, assinalou que a USF, criada há alguns meses, reforçou o número de clínicos e permitiu resolver as situações mais complicadas, minimizando os problemas que existem em Felgueiras, garantindo melhores cuidados aos utentes do Serviço Nacional de Saúde.

Em 2011, de acordo com dados oficiais, quase 50% da população não tinha médico de família, o que chegou a motivar manifestações de protesto dos utentes junto ao Centro de saúde de Felgueiras.

No final de 2015, já depois de ter sido criada a USF, a situação tinha melhorado, apesar de haver ainda cerca de 6.000 pessoas sem médico, o que corresponde a cerca de 10% da população do concelho. Os indicadores, porém, estão ainda longe da média do país.

Além da cidade de Felgueiras, o concelho tem uma segunda USF, sediada na Lixa, o segundo polo urbano do município, que serve alguns milhares de utentes.

Ainda no plano da saúde, o autarca sublinha que as doenças profissionais num concelho altamente industrializado ainda suscitam alguma preocupação das autoridades, apesar das melhorias alcançadas na última década.

As doenças do foro respiratório e as relacionadas com as tendinites sobressaem no contexto de Felgueiras, por terem algo a ver com a prevalência da indústria de calçado, de mão-de-obra intensiva, que tem em Felgueiras o seu maior polo produtor e exportador do país.

Apesar disso, continuou, o concelho não apresenta atualmente doenças consideradas graves, também devido ao facto de as empresas proporcionarem melhores condições aos seus funcionários.

Acresce que a medicina de trabalho também ajuda a sinalizar algumas situações, apesar de, nesse plano, ainda haver um caminho a percorrer.

“Uma coisa é a medicina do trabalho, outra é as doenças do trabalho. A medicina do trabalho está direcionada para as questões das doenças profissionais, mas não pode dar respostas que tem de ser o Estado a assegurar”, defendeu.

O vereador e médico Francisco Cunha em declarações à Agência Lusa
O vereador e médico Francisco Cunha em declarações à Agência Lusa

Depois de mais de 30 anos como médico de família no centro de saúde, o atual vereador social-democrata, que exerce o seu mandato no executivo a meio-tempo acumulando com a sua atividade na medicina privada, destaca que a realidade atual, comparada com o que encontrou quando assumiu funções, em 1982, é “muito diferente e para melhor”.

A melhoria das condições económicas e sociais alcançadas em Felgueiras naquele período ajudaram a garantir um acesso mais facilitado aos cuidados de saúde, também eles, reafirmou, “mais capacitados para responder às necessidades”.

Porém, apesar dos progressos, assinalou, as doenças do foro psiquiátrico constituem um dos grandes desafios da medicina atual, também em Felgueiras.

“Da mesma forma que as doenças autoimunes são as doenças do século XXI, julgo que as doenças do foro psiquiátrico vão ser os piores problemas de saúde no futuro”, antecipou.

 

APM // JGJ

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