Nuno Pinto, ex-treinador do Felgueiras, esclarece que não tinha condições para continuar

O ex-treinador do Futebol Clube de Felgueiras, Nuno Pinto, explicou ao EXPRESSO DE FELGUEIRAS que a sua saída do clube se ficou a dever à “falta de condições para continuar a liderar o projeto iniciado em agosto”.

“O projeto estava-se a desfazer aos poucos”, considerou, afirmando: “Os atletas estavam a deixar o clube e a direção não estava a contratar. Num plantel de 24 atletas, a equipa deixou sair 16, num espaço de semanas, tendo o plantel ficado reduzido a apenas oito jogadores”.

Nuno Pinto apresentou a demissão do clube a 11 de fevereiro em vésperas do primeiro jogo da fase de manutenção do Campeonato Portugal Prio, série B.

O ex-técnico do Felgueiras afirmou que apesar da situação esteve sempre disponível para articular com a direção uma solução para colmatar a saída desses atletas.

Nuno Pinto recordou que depois do jogo com o Vizela, o último jogo da primeira fase da prova, na reunião de planeamento que teve com a direção, foi-lhe prometido que novos reforços iriam chegar ao clube.

“Quando realizamos essa reunião, no final de janeiro, já tinham saído uns quatro ou cinco atletas e foi nessa altura que me comunicaram que o Jorge Gonçalves, um atleta influente, ia para o Fafe”, destacou, afirmando ter discordado da saída do jogador.

Nuno Pinto recordou que na semana que antecedeu o jogo com a Oliveirense, o primeiro jogo para a fase de manutenção, tinha apenas disponíveis oito seniores.

“Não se pode iniciar um jogo com oito, pelo menos para ganhar e eu não estou para perder. Sou um profissional e encaro o futebol com profissionalismo”, destacou.

O ex-técnico do Felgueiras precisou que saída do Gil Barros, em 11 de dezembro, deixou a equipa sem lateral esquerdo.

“Andava há um mês sem um lateral esquerdo. Encetei contatos com o objetivo de trazer o Belly e mais dois jogadores do Vitória de Guimarães, a custo zero, para o Felgueiras, atletas que não chegaram a tempo de ser a inscritos até ao prazo estabelecido”, lembrou, acrescentando:

“Soube que a razão para não inscrever esses três atletas profissionais foi que o Felgueiras estava inibido de inscrever jogadores. Estranhei a situação do Belly, defesa esquerdo que na primeira metade da presente temporada representou o Académico de Viseu, viesse a ser contratado, mais tarde, para jogar no Felgueiras, a título de empréstimo, numa fase em que já me tinha demitido”.

Ao EXPRESSO DE FELGUEIRAS, expressou que com a atual política de saída de atletas influentes, o Felgueiras não tem condições para conseguir a manutenção.

“Lamento pelo clube, pela cidade porque o Felgueiras tem condições para ser um bom clube para estar nos campeonatos profissionais, senão na I Liga”, sublinhou, acusando a direção do Felgueiras de “estar a colocar em causa os interesses desportivos do clube”.

“O que falhou foi o apoio por parte da direção. Senti muitas dificuldades desde o primeiro dia. No Felgueiras, as lutas eram de hora a hora”, sustentou, elogiando a qualidade da sua equipa técnica e dos jogadores.

“O Futebol Clube de Felgueiras no início da época tinha o melhor plantel da série e a prova disso foi o facto de muitos dos seus atletas estarem a disputar a fase de subida em clubes como o Vizela, o Fafe e o Gondomar, e no Moreirense e no Santa Clara, que competem no futebol profissional”, acrescentou, acusando a estrutura diretiva de “falta de organização” e “seriedade”.

Nuno Pinto lembrou que a equipa técnica e os atletas tiveram sempre salários em atraso.

“Desde o início que houve atrasos no pagamento dos salários à equipa técnica e aos jogadores que com o decorrer dos meses foram crescendo, até à minha saída”, disse.

Sobre o trabalho do atual técnico do clube, Rui Luís, o antigo treinador sublinhou: “O Rui Luís não tem nada a ver com isto nem é responsabilidade dele a situação a que o clube chegou. Não tem grandes opções. Não tem jogadores”.

Nuno Pinto assumiu o comando técnico do FC Felgueiras no início da presente temporada proveniente do SC Vila Real.