O que importa são os felgueirenses

Tal como referi na última crónica, o PSD nacional e local esperavam uma clarificação. Esta aconteceu no último sábado, pelo menos a nível local, já que a nacional, Rui Rio e Luís Montenegro ainda têm que disputar a segunda volta.

São dois candidatos com estilos políticos e pessoais muito diferentes. Rui Rio sempre nos habituou a um registo mais polémico, mais direto, de convicções, mais terra-a-terra, sem pensar no seu futuro político, enquanto Montenegro tem um mais político, de negociação, de alianças e mais carreirista pensando no seu próprio futuro político. Apesar da diferença significativa de votos que os separou na primeira volta, em que Rui Rio não ganhou por apenas 0,4% de votos, a segunda volta não deverá ter os mesmos contornos.

Rui Rio, como o próprio disse, terá os mesmos eleitores que na primeira volta (a não ser que se dê o fenómeno do “já está ganho” e não compareçam nas urnas) porque quem votou em Rui Rio, fê-lo por convicção. Montenegro conta ter os votos de Miguel Pinto Luz, mas, por algumas notícias vindas a público tal não será tão líquido. De qualquer forma, ganhe quem ganhar, é sempre bom que, no fim, o PSD se una em torno do seu líder.

A nível local, Vítor Vasconcelos venceu as eleições para a Comissão Política, onde participaram cerca de 80% dos militantes com direito a voto. Tal facto, para além de servir como reforço da sua legitimidade, demonstra também que apesar de ser uma lista única, os militantes felgueirenses desejam e querem uma mudança na forma de fazer oposição, que não viram nos dois últimos anos.

Vítor Vasconcelos é ainda um jovem autarca, com muita experiência e visto por muitos felgueirenses como um modelo daquilo que deve ser um presidente de Junta de freguesia. Na sua primeira entrevista ao Expresso de Felgueiras, refere como denominador comum para a sua ação: “a afirmação da qualidade de vida dos felgueirenses”. Não deixa de ser curioso que esta é uma frase muito usada pelo presidente da câmara municipal, Nuno Fonseca, mas que nos remete para uma esperança; ver executivo e oposição a trabalharem para o mesmo objetivo, com diferentes pontos de vista e formas de o alcançar, naturalmente, mas com o respeito institucional que executivo e oposição merecem.

O PS local também irá clarificar a sua liderança no início do próximo mês, sendo Marco Silva (atual líder) o único candidato conhecido. Não deixa de ser positivo que o partido que suporta e apoia o executivo e o principal partido da oposição tenham lideranças de dois autarcas de freguesia, jovens, com ambições políticas, experiência e espero eu um projeto para os felgueirenses. Afinal são o mais importante que o concelho tem.