Obrigatoriedade que é um dever!

No próximo domingo decorre o primeiro ato eleitoral de 2021, para a eleição do Presidente da República. Esta ida às urnas decorre num momento particularmente difícil da pandemia no nosso país, na nossa região, com números que ajustados à população nos colocam a par dos piores dias de Itália e de Espanha, e que passa uma mensagem contraditória à população.

 

Por um lado pede-se, ou melhor, exige-se que as pessoas fiquem em casa (com elevados custos económicos e sociais), mas em que se abre a excepção para que no domingo se desloquem às Assembleias de Voto para que participem (por dever cívico consagrado na constituição) o próximo Presidente da República (que apesar de tudo o que se diz só é uma espécie de Rainha de Inglaterra se o quiser). Sobre esta aparente e evidente contradição na comunicação e na ação ressalta: (i) os portugueses, 46 anos depois do 25 de abril, ainda não conhecem os fundamentos consagrados na Lei fundamental do país, o que demonstra que algo importante tem falhado na educação ao nível da cidadania; (ii) os políticos (que tantas vezes se escudam nos conselhos técnicos para suportar as suas decisões políticas/governação) não foram capazes de prever e ajustar os calendários eleitorais (tomando as ações necessárias) para que cada um de nós, cidadãos portugueses, com capacidade eleitoral não questione esta aparente bipolaridade de quem governa o país: #FiqueEmCasa – #Vote.

Só que aqui chegados, perante as decisões que não foram tomadas, é “impossível” (embora esta palavra e assunção seja sempre demasiado forte e definitiva) adiar o ato eleitoral, e por isto aquilo que temos que civicamente fazer e pedir é que com responsabilidade e respeitando as regras sanitárias, no domingo exerçamos na Mesa de Voto designada o nosso dever cívico, que tanto e a tantos custou “ganhar” e que não pode (apesar de ter vindo a ser) ser desbaratado com acomodação e revolta pelas contradições de quem nos governa, e que relembro, foi democraticamente escolhido para o fazer. Não esqueço nunca, obviamente generalizando, que temos os políticos em que votamos. E temos que votar no próximo domingo, e na verdade, na minha participação nos atos eleitorais e em outras funções políticas e de colaboração com meios de comunicação do concelho de Felgueiras, constatei de forma quase absoluta que nunca a afluência às Assembleias de Voto origina congestionamentos e tempo de espera, excetuando claro e por motivos óbvios as Eleições Autárquicas. Por isto acredito, mesmo, que estarão asseguradas as condições de segurança para a participação, para o exercício de um dos atos de cidadania mais importantes que dependem de nós enquanto cidadãos de pleno direito deste país!

Quanto aos candidatos comecemos pelo princípio: os que decidiram apresentar-se a eleições! O recandidato Marcelo Rebelo de Sousa nunca passou de um efetivo candidato, que procurou navegar em águas calmas durante o seu primeiro mandato para garantir que estaria em ótimas condições de chegar a este ato eleitoral em vantagem e com grande probabilidade de ser reeleito (decisão que cabe a cada um de nós), assumindo-se como um político popular (com algumas atitudes populistas) que incumpriu demasiadas vezes a palavra que deu aos portugueses. A esquerda optou pela pior das estratégias, apresentando múltiplas candidaturas, apenas porque quer PCP quer o Bloco de Esquerda, e fundamentalmente o Partido Socialista tomaram como garantido que Marcelo Rebelo de Sousa seria imbatível neste ato eleitoral (decisão que nos cabe apenas a nós eleitores=, hipotecando de facto a possibilidade de um candidato da esquerda social pudesse ter um resultado significativo, que signifique até a disputa de uma segunda volta: Marisa Matias demonstrou nos debates e na campanha que a sua aura de 2017 já não existe (acredito que até gostaria de estar ao lado de Ana Gomes), e João Ferreira procura cumprir a missão de “agarrar” eleitorado do PCP (difícil, muito difícil)… A surpresa (positiva) para mim tem sido o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, que esteve em crescendo durante os debates entre candidatos, e que fez uma campanha ideologicamente honesta, mas que também tem revelado que a sua acusação de entrincheiramento/preconceito ideológico dos candidatos da esquerda pode funcionar como boomerang porque tem notoriamente um discurso profundamente ideológico relativamente às suas crenças políticas.

Relativamente a este ato eleitoral tenho fundamentalmente dois desejos, e assumo perante vós, ambos probabilisticamente difíceis de cumprir: abstenção inferior a 50%; e que exista a possibilidade de uma segunda volta entre o vencedor “anunciado” e um candidato da esquerda social! Seria positivo para o país, e para todos nós!