Para memória futura!

Para memória futura há de ficar a postura absolutamente equidistante do Expresso de Felgueiras, mais uma vez, no processo eleitoral autárquico que terminou no passado domingo, deixando, como se impunha, o combate político para os partidos e coligações que se apresentaram a sufrágio e promovendo o debate das ideias e dos projetos.

 

Para memória futura, honrando o passado deste projeto, o nosso compromisso de nos mantermos iguais a nós próprios, como no dia 31 de março de 2006, quando “nascemos”.

Para memória futura ficarão os resultados históricos, sem paralelo em Felgueiras, alcançados pela candidatura Sim Acredita, liderada por Nuno Fonseca e seus pares.

Para memória futura ficará a derrota colossal sofrida pelo PSD que deixará marcas profundas num partido de poder que há não muitos anos era hegemónico em termos autárquicos no concelho. Um PSD fraco significará uma oposição fraca e isso é mau até para o poder!

Para memória futura, o vendaval de votos que varreu os social-democratas de quase todas as juntas de freguesia.

 

Autarcas de freguesia saltitantes

Para memória futura o sinal negativo deixado, de novo, por certos presidentes de junta que vão dançando consoante as aragens do poder rosa, laranja ou de outras cores, saltando de partido em partido, como quem muda de camisa. São culpados os autarcas de freguesia saltitantes, mas também os sucessivos poderes na câmara, de várias cores, que não resistem à tentação de “controlar” os poderes nas freguesias.

Para memória futura, o veredito da maioria dos felgueirenses, que votou maciçamente no modelo de governação municipal liderado por Nuno Fonseca e o civismo com que decorreu a ida às urnas e as reações aos resultados de vencedores e vencidos, traduzindo a maturidade política que se vai observando em Felgueiras.

Para memória futura, o sinal de preocupação que a expressão esmagadora dos resultados para a câmara, assembleia municipal e juntas de freguesia pode significar em matéria de pluralismo político e expressão das diferentes visões no concelho.

 

Sobranceria do poder?

Para memória futura ficarão os sinais de certa sobranceria que o poder e alguns dos seus protagonistas em Felgueiras, ainda que não todos, foram deixando, muito tempo antes das eleições de domingo, em relação a certos órgãos de comunicação social do concelho, inclusive o Expresso de Felgueiras. Que esses sinais não assumam outra dimensão é a nossa expetativa em ordem a manter a normal relação institucional entre o poder político e o “poder” da imprensa.

Para memória futura ficará o compromisso deste projeto editorial, enquanto órgão de comunicação social, no sentido de, como no passado com Fátima Felgueiras, Inácio Ribeiro e Nuno Fonseca, se manter plural, atento e crítico a eventuais excessos, que não se desejam, que este ou outro qualquer poder circunstancial possa sentir-se tentado a protagonizar, porventura em consequência de um deslumbramento com os resultados eleitorais, como tantas vezes ocorreu com os políticos, inclusive em Felgueiras e noutras paragens próximas.

 

Abertura da sociedade civil

Para memória futura, por fim, mas relevante para nós, o propósito de nos mantermos abertos à sociedade civil, com novos conteúdos multimédia e outras formas de comunicar, para promoção e divulgação dos projetos e atividades no concelho, significando isto que a atualidade política e autárquica é apenas, note-se, um dos vários contextos sobre os quais o Expresso de Felgueiras se propõe continuar a trabalhar sob ponto de vista editorial, respeitando o primado do serviço público que nos norteia desde o início.

Armindo Mendes / Diretor do Expresso de Felgueiras