FELGUEIRAS: Petição reclama redução de horário laboral para portadores de incapacidade

Uma petição lançada na Internet por duas mulheres de Felgueiras a defender a redução do horário de trabalho para pessoas com alguma incapacidade declarada por atestado médico já registou mais 1.700 assinaturas.

As autoras da iniciativa, Mafalda Lira, de 37 anos, e Sónia Dias, de 39, ambas com problemas de saúde que as impedem de cumprir horários de trabalho completos, querem que a matéria chegue à Assembleia da República.

A petição, que foi lançada há cerca de mês e meio, mas precisa de ser subscrita por 4.000 pessoas para poder ser apreciada no Parlamento.

Mafalda Lira, docente de matemática no ensino secundário, explicou que venceu dois linfomas e pretende continuar a exercer a sua atividade, mas devido aos problemas associados à doença não consegue cumprir o horário completo que lhe foi atribuído.

A docente alerta que falta de legislação que proteja pessoas com problemas iguais ao seu e outras com doenças crónicas, medicamente comprovadas.

Foi por isso, assinalou, que lançou a petição, juntamente Sónia Dias, de 39 anos, que sofre de esclerose múltipla desde os 20 e teve de deixar de trabalhar num escritório devido à doença.

À Lusa, Sónia recordou que durante algum tempo ignorou a doença, mas o stress e a pressão laboral agravaram os sintomas. Frisou que, apesar disso, gostava de voltar ao mundo laboral, desde que pudesse ter uma menor carga horária que permitisse ter mais tempo de descanso.

As duas mulheres dão a cara pela petição, mas sublinham haver muita gente, de vários pontos do país, que está a lutar pelo mesmo objetivo.

Ambas reclamam que seja aprovada legislação que dê direito à redução da carga horária semanal de forma proporcional à incapacidade declarada por atestado médico, sem redução da remuneração e de outras regalias.

Sobre a matéria, Sónia Dias defende “a implementação de medidas políticas sociais que promovam a humanização do trabalho, uma sociedade com vida ativa e melhoria na proteção da saúde.

 

Armindo Pereira Mendes / Lusa

C/ Miguel Ângelo Pinto de Sousa