Prova do vinho novo no S. Martinho de Penafiel com 30.000 litros de tinto

A prova do vinho novo, uma das maiores tradições da Feira de S. Martinho de Penafiel, que hoje começou naquela cidade, deverá atrair cerca de 15.000 apreciadores para consumir 30.000 litros, prevê a organização.

Como manda a tradição, disse à Lusa Vitorino Ferreira, da Cooperativa de Penafiel, os provadores oriundos de toda a região, reúnem-se num recinto criado para o efeito, onde pontificam as enormes pipas de cinco adegas: Penafiel, Paredes, Lousada, Amarante e Felgueiras. O ritual também recomenda que se adquira uma tigelinha em barro para que se possa provar o vinho tinto das cinco adegas, cada uma autoproclamando-se a detentora do tinto mais afamado.

Nos dias de maior afluência, como no feriado municipal do dia 11, formam-se grandes filas, cada uma em direção às pipas que não param de verter o vinho tinto novo.

Por ali, antro de boa disposição e animadas cavaqueiras sobre os atributos de cada gole, também se consome toneladas de castanhas oferecidas pela câmara municipal, preparadas no local com recurso a um assador gigante, sucedendo-se os magustos ao longo da romaria que se estende por 12 dias de romaria.

Quem por ali anda também costuma cumprir outra tradição, a de degustar uma torta de S. Martinho, uma iguaria de massa folhada agridoce, coberta com canela e açúcar, preparada pelas confeitarias da cidade, de acordo com um antigo receituário.

Tortas de S. Martinho

A organização espera que sejam consumidos 12.000 exemplares.

A Feira de S. Martinho de Penafiel é, segundo a organização, uma das maiores do país, atraindo cerca de 700 feirantes que vendem inúmeros produtos, a maioria ligados à lavoura e às tradições locais.

A castanha é a rainha do certame, crua ou assada por mulheres e homens nos seus fogareiros tradicionais, em cada esquina, em cada ruela do centro histórico.

À porta do inverno, muitos são os que, respeitando os usos e costumes de gerações, todos os anos se deslocam à feira para comprar as samarras tradicionais de Penafiel, famosas pelo calor e durabilidade que oferecem.

A Casa Peixoto, com mais um século de existência, é um dos últimos estabelecimentos onde ainda é possível encontrar aquele agasalho em pele de ovelha, curto ou comprido.

“Tenho famílias inteiras cujos antepassados eram já consumidores de samarras e que foram transmitidas às gerações posteriores. Costumo até dizer que este é o negócio da saudade”, contou à Lusa José Ribeiro, o proprietário.

Samarrs S. Martinho

Os tamancos de Penafiel também estão ligados à tradição centenária do S. Martinho.

José Inácio Couto, conhecido por “Sr. Pita”, é um pequeno comerciante, provavelmente, disse, o último representante da arte que exerce há mais de 60 anos.

Tamancos de Penafiel

Hoje tem um pequeno espaço onde exibe a quem passa alguns pares, mas já foi um dos maiores produtores de tamancos e chancas no concelho.

“Tinha clientes de toda a região, mas também de Lamego e até de Bragança”, comentou, em declarações à Lusa.

 

APM // JGJ

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