PSD alerta para “regabofe” de empréstimos na gestão de Nuno Fonseca na câmara

Sobre os números avançados pelo PSD, Nuno Fonseca disse estarem "errados", mas remeteu para a próxima assembleia municipal um esclarecimento sobre a matéria

FOTO: Armindo Mendes (Direitos Reservados)

O deputado municipal Leonel Costa (PSD) acusou hoje, o presidente da câmara, Nuno Fonseca (Livre/PS), e o seu executivo, de adotarem uma política de “regabofe” nos pedidos de empréstimo.

 

O eleito social-democrata, que falava na assembleia municipal extraordinária, alertava o plenário para a intenção da câmara municipal investir dois milhões de euros em obras na Casa do Conde (antiga sede do FC Felgueiras, na Praça da República), numa altura em que a autarquia, acentuou, está a enfrentar uma situação difícil, com a degradação das contas.

 

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Recordou, a propósito, que só no anterior mandato de Nuno Fonseca terão sido contratualizados cerca de sete milhões de euros de empréstimos, para realizar obras no valor de 14 milhões.

A intervenção aconteceu a propósito de uma alteração orçamental proposta pelo executivo que cabimentava verbas para um novo acesso da zona industrial de Barrancas à A11, que o PSD aprovou, e para a remodelação da Casa do Conde, adquirida em 2018 pela autarquia.

 

Câmara contraiu 30 empréstimos em apenas cinco anos, alertou Eduardo Teixeira

 

Na linha de Leonel Costa interveio o seu colega de bancada, Eduardo Teixeira, ao lembrar que a câmara gerida por Nuno Fonseca já contratualizou 30 empréstimos, em apenas cinco anos, o que perfaz, acentuou, um empréstimo de dois em dois meses.

 

FOTO: Armindo Mendes (Direitos Reservados)

 

O deputado do PSD ironizou ao dizer que Nuno Fonseca e o seu vice-presidente, responsável pelas finanças na edilidade, já devem, face à atual situação financeira da autarquia, “ter saudades” do tempo em que, quando chegaram ao poder, herdaram contas equilibradas da gestão de Inácio Ribeiro. Para exemplificar a degradação financeira da autarquia, deu conta que cada vez é maior o prazo de pagamento a fornecedores por parte da câmara.

Para a bancada do PSD, este não é o momento para a edilidade avançar com aquele investimento de dois milhões de euros, insistindo haver outras prioridades, nomeadamente a remodelação dos serviços operativos municipais bastante degradados.

 

FOTO: Armindo Mendes (Direitos Reservados)

 

Por seu turno, o líder da bancada da maioria (Livre/PS), Alfredo Alves, disse justificar-se a contratualização de empréstimos por parte do executivo, para aproveitar os fundos comunitários “em condições especiais” e se houver mais-valias para o município.

 

FOTO: Armindo Mendes (Direitos Reservados)

 

Sobre os números avançados pelo PSD, Nuno Fonseca disse estarem “errados”, mas remeteu para a próxima assembleia municipal um esclarecimento sobre a matéria.

Observou, porém, que a sua gestão já pagou mais de 5,2 milhões de euros da dívida que herdou dos anteriores executivos e que a câmara reúne condições para continuar a honrar os compromissos financeiros, com “uma gestão equilibrada”.

“Não temos dívida que o município não consiga pagar”, comentou, sem enunciar os montantes do endividamento que o PSD tinha exigido.

O autarca socialista informou, por outro lado, que o investimento de dois milhões de euros é uma estimativa do custo da obra que consta de uma candidatura apresentada pela câmara e que, se for aprovada, previu, deve comparticipar a 85% os custos da empreitada.

A edilidade pretende instalar naquele edifício (Casa do Conde) um centro de valorização tecnológica, informou o presidente da câmara, assegurando que a obra só avançará se a candidatura for aprovada.