PSD/Felgueiras vai a votos em maio para iniciar novo ciclo de oposição a Nuno Fonseca

A vitória AD no concelho, que só não foi maior devido aos votos “roubados” pela Alternativa Democrática, representou para alguns destacados militantes social-democratas a evidência de que sociologicamente o centro-direita e o PSD continuam a ter uma grande força entre a sociedade civil de Felgueiras

O PSD/Felgueiras deverá ter eleições para escolher a nova liderança na primeira quinzena de maio para iniciar um ciclo de oposição e escrutínio ao presidente da CM, Nuno Fonseca.

 

Segundo fonte partidária, formalmente, a ida às urnas dos militantes ainda não foi marcada, mas tal deverá ocorrer nos próximos dias por Bruno Pinheiro, atual presidente da assembleia de militantes, uma vez que o mandato da presente comissão política, liderada por Pedro Melo Lopes, terminará a 29 de abril.

 

 

À procura de uma lista do consenso!

O Expresso de Felgueiras sabe que há movimentações e muitas conversas entre militantes para assegurar uma lista o mais consensual possível, num contexto desafiante para os novos protagonistas, agregando várias tendências e assim garantir a entrada de um novo ciclo que permita preparar o próximo processo autárquico.

 

Para trás ficarão anos em que o PSD/Felgueiras, sob liderança da dupla Pedro Melo Lopes/Rui Oliveira, segundo vários militantes no concelho e no distrito ouvidos pela nossa redação, ficará na história como uma das menos relevantes e atuantes, como atesta o atual número de militantes no ativo, um dos mais baixos de sempre

 

É um desiderato que enfrenta, não obstante, influências externas ao partido interessadas, como tem ocorrido neste ciclo político, em manter o PSD na letargia, quase silenciado.

 

Reaproximar do Partido os militantes e simpatizantes descontentes

A ideia de um novo projeto político social-democrata em Felgueiras, diz-se nos corredores laranjas, passa por apostar na reorganização da estrutura, sobretudo ao nível das bases, com mobilização dos autarcas, militantes e simpatizantes descontentes com a atual liderança espalhados pelas freguesias, para uma reaproximação ao partido.

Segundo fontes social-democratas, mais do que criticar o passado recente que coincidiu com o definhamento eleitoral e mediático do PSD/Felgueiras, pretende-se agora construir “uma solução sólida e com ideias claras”, aberta também aos independentes que não se reveem no “populismo” como Nuno Fonseca tem exercido o poder municipal. “E, acima de tudo, que o queiram fazer, dando a cara, imunes a pressões”, destacam os promotores.

Por um lado, há que melhorar e explicar ao eleitorado o trabalho de oposição, em termos de ação partidária. E transmitir aos dois vereadores (sobretudo estes) e aos deputados municipais que  inequivocamente o PSD/Felgueiras e as suas bases não se reveem nas opções no atual executivo Sim Acredita, que são “em grande parte prejudiciais para o concelho”, disse ao EF um ex-dirigente.

 

Assumir com convicção a oposição ao Sim Acredita

Por outro lado, olhando para o futuro, a ideia é, segundo os rostos do novo projeto, preparar um programa abrangente, com quadros de várias gerações, sobretudo jovens, e de várias áreas profissionais, para oferecer aos eleitores uma alternativa qualificada ao atual poder camarário baseado num “endividamento galopante da câmara, com obras e propostas despesistas muito mal explicadas, comprometendo o futuro do município”.

 

PSD mantém peso sociológico no concelho

Acresce, a recente vitória da AD no concelho, que foi, acreditam os social-democratas, um rude golpe em Nuno Fonseca e os seus pares no executivo.

 

Nuno Fonseca deu a cara no apoio a Pedro Nuno Santos e ao PS, com propaganda distribuída pelo correio, empenhando-se com o seus pares no executivo na campanha, evidenciando que já vão longe os tempos em que se apresentava aos aos felgueirenses como independente!!!

 

O “chefe” do Sim Acredita despiu o casaco de independente e não poupou esforços no apoio ao PS durante a campanha eleitoral. Face à derrota, “acabou com azia” na noite do dia 10 de março, como ironiza um militante do PSD, além de ter ficado agora umbilicalmente ligado ao Partido Socialista, caindo a aura de “independente”, qualidade com que se apresentou aos felgueirenses nas duas autárquicas, mas que não poderá repetir em 2025.

A vitória da AD no concelho, que só não foi maior devido aos votos “roubados” pela Alternativa Democrática, representou para alguns destacados militantes social-democratas a evidência de que sociologicamente o centro-direita e o PSD continuam a ter uma grande força entre a sociedade civil, sobretudo nos meios urbanos (Felgueiras e Lixa), no eleitorado mais esclarecido e nos jovens, como foi também notado pela estrutura distrital do Porto do partido empenhada em dar gás a um novo ciclo em Felgueiras, apurou o EF.

Há, por isso, defende-se haver uma grande margem para atrair de novo esse eleitoral para o próximo processo eleitoral autárquico, aproveitando um contexto nacional agora favorável ao PSD e menos disponível, crê-se na sede concelhia do PSD, para estender as passadeiras vermelhas a um Nuno Fonseca mais frágil, politicamente falando.

Acrescentam aqueles militantes que será necessário um “projeto ambicioso e sustentado” para o concelho, além de rostos credíveis, como os que já estão a ser preparados, que avalizem uma alternativa habilitada a ser alternativa, nomeadamente se algo inusitado abalar a política local, cenário que se admite nos bastidores!