PS/Felgueiras critica Câmara por gastar 100.000 euros na adesão à Fundação de Serralves

A Câmara de Felgueiras aderiu à Fundação de Serralves, o que obriga ao pagamento de 100.000 euros, decisão que o PS local contesta, alegando que o executivo PSD “está a desbaratar recursos financeiros”.

Os socialistas, que votaram contra a decisão da proposta social-democrata de adesão à fundação, referem que se trata de uma opção errada “desligada das necessidades e da realidade do concelho”.

Num comunicado enviado à Lusa, O PS/Felgueiras alerta que a decisão da maioria PSD ocorre numa altura em que a Câmara “está cada vez mais dependente das receitas fiscais que penalizam as famílias e os empresários” e de “prever uma redução das transferências para as juntas de freguesia”.

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A Lusa teve acesso à proposta de adesão do Município de Felgueiras que foi votada em reunião de Câmara, assinada pela vereadora da Cultura Carla Meireles. No documento, a maioria PSD justifica a decisão com o facto ser seu objetivo “incutir nas crianças e jovens do concelho o gosto pelas artes, fomentando assim o desenvolvimento da criatividade e de dar passos sustentados rumo a afirmar Felgueiras como uma cidade educadora”.

Invoca-se também “o interesse público de que se poderá revestir a possibilidade de acolher anualmente exposições e iniciativas de Serralves”.

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No protocolo de adesão, consultado hoje pela Lusa, a Câmara considera “relevante aceder ao Estatuto de Fundador de Serralves, estabelecendo-se assim uma cooperação duradoura, com vista a proporcionar à população uma oportunidade de ampliar os seus hábitos culturais e um contacto mais próximo com as manifestações artísticas e os criadores portugueses e estrangeiros de maior relevância, de acordo com critérios de qualidade e rigor”.

Felgueiras é o único concelho do Tâmega e Sousa que integra a Fundação de Serralves, sediada no Porto.

O protocolo de adesão de Felgueiras obriga ao pagamento de 100.000, efetuado em tranches de 25.000 euros, durante quatro anos, a primeira das quais ainda este ano.

A proposta foi aprovada pelos seis elementos da maioria liderada por Inácio Ribeiro, com os votos contra dos três eleitos do PS.

Para o PS, “este não é um tempo em que o Município possa e deva fazer opções como esta, que implicam um pagamento avultado tão necessário ao concelho”.

Os socialistas recordam que, recentemente, a Câmara aprovou a contratação de um empréstimo de 5,2 milhões de euros, “por não dispor de recursos financeiros para resolver carências primárias e urgentes, como a requalificação de vias de comunicação”.

 

APM // JGJ

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