PS/Felgueiras na iminência de não conseguir candidato à Câmara

O Partido Socialista de Felgueiras continua sem candidato, como foi reconhecido pelo líder da concelhia, Eduardo Bragança, numa reunião realizada na segunda-feira à noite, disse ao Expresso de Felgueiras fonte do partido.

Eduardo Bragança informou os dirigentes que não conseguiu, nas últimas semanas, garantir um candidato nas próximas autárquicas, apesar de ter feito vários convites.

O presidente da concelhia pediu aos presentes que indicassem um nome que pudesse assumir a candidatura, mas não houve desenvolvimentos.

Caso a situação se mantenha nos próximos dias, face ao ‘timing’ cada vez mais apertado, o PS de Felgueiras deverá ser obrigado a entregar a condução do processo à Federação Distrital do Porto.

Na reunião interveio o presidente da Junta de Freguesia de Macieira da Lixa, Marco Silva, que manifestou a Eduardo Bragança o seu desconforto e desilusão com a situação atual do PS, nomeadamente a forma com o líder da concelhia tem conduzido o processo eleitoral.

O impasse em que se encontra este dossiê tem comprometido a preparação das listas socialistas nas freguesias. Fontes ouvidas pelo Expresso de Felgueiras queixam-se que começa a ficar tudo muito complicado no seio da família socialista, o que poderá ter consequências terríveis para as candidaturas nas freguesias.

 

E se o PS/distrital chamar a si o processo eleitoral em Felgueiras e impuser Pedro Araújo?

Se o PS distrital avocar o processo de Felgueiras, abrir-se-ão outras possibilidades, que poderão passar por impor um candidato. E entre as possibilidades, uma das mais fortes será eventualmente Pedro Araújo, o líder do Primeiro MIC, que chegou a ser indicado pelo PS de Felgueiras, mas que se incompatibilizou com Bragança.

Pedro Araújo editado site

O EF contactou Pedro Araújo, que não quis comentar as questões internas do PS, afirmando, contudo, que aguarda uma decisão final daquele partido para tomar uma decisão quanto ao seu futuro neste contexto autárquico em Felgueiras.

Em tese, se o PS distrital impuser a Eduardo Bragança a candidatura de Pedro Araújo, a situação poderá redundar num enorme ponto de interrogação. Por um lado, é expetável que alguns setores do PS/Felgueiras que não se reveem na atual concelhia se aproximem da candidatura de Pedro Araújo. Ficará então por se saber em que medida a eventual imposição da federação distrital poderá causar estragos insanáveis por via do descontentamento dos mais próximos de Bragança.

Em perspetiva, portanto, neste cenário, o reviver de algo a que o PS de Felgueiras já assistiu em 2005, com péssimos resultados, quando o candidato José Campos não foi apoiado pela concelhia.

 

E se o PS Felgueiras apoiasse Nuno Fonseca?

Outro cenário que estará em cima da mesa passará por o PS não apresentar candidatura à Câmara, o que seria inédito, e declarar oficialmente o seu apoio ao candidato independente Nuno Fonseca, do movimento “Sim, Acredita”, uma personalidade, segundo as nossas fontes, bem vista entre largos setores rosas, incluindo autarcas e empresários daquela cor partidária.

Nuno Fonseca, recorde-se, foi a primeira escolha do PS para encabeçar uma candidatura, mas não houve entendimento. Mais tarde, já depois da rutura socialista com Pedro Araújo, Nuno Fonseca voltou a ser abordado pelo líder da concelhia para assumir a candidatura pelo PS. Mais uma vez ambas as partes não chagaram a acordo.

FOTO: Armindo Mendes
FOTO: Armindo Mendes

A possibilidade de apoio socialista à candidatura independente de Nuno Fonseca, que já está no terreno, tem outra vantagem para o PS, nomeadamente o facto de o movimento “Sim Acredita” ter assumido que não vai apresentar listas às juntas de freguesia. O Partido Socialista poderia, assim, apostar nas suas candidaturas nas freguesias, onde ainda tem um peso político e eleitoral significativo, evitando deixar “órfãos” os seus presidentes de junta

Com os dados presentes e o vazio de soluções que reina no PS local, quem tem conseguido consolidar a sua posição é Nuno Fonseca, por ser o único, além de Inácio Ribeiro e a coligação Manter a Esperança, que tem o seu caminho e o seu projeto definido aos olhos do eleitorado.

Ao ter assumido, com frontalidade, uma candidatura independente, enquanto outros movimentos se desdobravam em reuniões até agora inconsequentes, Nuno Fonseca assume-se, cada vez mais, como uma opção para os eleitores que possam não se identificar com o trabalho da atual gestão camarária.

O facto de ser uma candidatura independente, não condicionada pelas máquinas partidárias, trará outras vantagens, desde logo a capacidade potencial de agregar à sua volta pessoas de vários quadrantes da sociedade interessados na mudança em Felgueiras.

Do lado do CDS e da coligação Novo Rumo nada se sabe! Surgiram notícias de que já haveria candidato, mas o partido não confirmou oficialmente essa informação.

O Expresso de Felgueiras ligou repetidas vezes, sem sucesso, com a líder da concelhia, Carla Carvalho.

Se o cenário da iminente bipolarização se confirmar, com dois candidatos potencialmente agregadores (Inácio Ribeiro e Nuno Fonseca), tudo poderá acontecer, num contexto em que está ainda por quantificar de forma substantiva o grau de descontentamento que alguns setores da sociedade terão e relação à gestão PSD da Câmara de Felgueiras.

 

PSD cerra fileiras

Do lado das hostes lideradas por Inácio Ribeiro, aparentemente ultrapassada alguma turbulência gerada há alguns meses pelos críticos, aposta-se agora no cerrar de fileiras, nas quais se destacam alguns militantes históricos do PSD e os inúmeros presidentes de junta, “peças” tidas como essenciais no terreno e no combate que se avizinha.

PSD manter a esperança inauguração da sede de campanha

No núcleo duro da candidatura social-democrata, onde se respira otimismo, há a convicção de que o capital político do atual presidente da Câmara e um conjunto de realizações do atual mandato, algumas das quais no limiar de partirem para o terreno em termos de obra, serão suficientes para renovar o seu mandato junto dos eleitores, independentemente de quem venham a ser os adversários.

O alegado desgaste provocado por alguns casos do atual mandato na imagem de Inácio Ribeiro é algo que vários dirigentes ouvidos pelo Expresso de Felgueiras tendem a desvalorizar, preferindo apontar as realizações do atual mandato.