Que normalidade?

Passado o período de quarentena, da pandemia que assolou todo o mundo, entramos no desconfinamento faseado. Agora, quinzenalmente, vamos vendo algumas das atividades económicas a retomarem as suas atividades, obrigadas a cumprir uma série de regras sanitárias, para evitarmos um segundo surto, mas que também permita a chamada imunidade de grupo. Mas de que forma regressamos à normalidade?

 

Dizem-me amigos versados no Direito, que a maioria dos casos que surgem agora são os divórcios e as insolvências. Duas consequências diretas do confinamento a que estivemos sujeitos e que interferem largamente nas famílias felgueirenses, mas não é exclusivo da nossa área, naturalmente. Mas que normalidade é essa que regressamos? Nada é como dantes. Para além das condicionantes todas já referidas, temos também as condicionantes laborais, o trabalho por equipas mais pequenas, empresas em layoff parcial ou mesmo total, empresas que já não vão abrir, e no espaço de três meses passamos de um concelho de pleno emprego para a existência de desemprego.

As respostas, em forma de anúncio, do governo são, como habitualmente e ao estilo do primeiro ministro, muito “positivas”. Há solução para tudo e, ao que parece, dinheiro também. Então, saem medidas de apoio financeiro para as famílias e para as empresas. Se para as famílias as coisas ainda correram bem, para as empresas nem por isso. Queixam-se, com razão, da elevada burocracia e número de documentos necessários para o processo. Isto é particularmente penoso para as pequenas e microempresas que constituem o grosso do tecido empresarial e de serviços nacional, que se veem com contas para pagar, sem faturação e sem o prometido apoio. A normalidade prometida ainda vai demorar muito tempo.

Os autarcas tentam minimizar os prejuízos fazendo o que podem nas suas áreas de competência, algo que já se tinha passado na fase de alastramento da pandemia e em que Felgueiras foi pioneiro de muitas formas ao implementar logo as medidas sanitárias necessárias. Mas também esteve bem ao agir economicamente com a isenção do pagamento de água para os estabelecimentos comerciais que, devido à pandemia estivessem encerrados, e agora, na ajuda ao regresso do trabalho à isenção da taxa de ocupação para as esplanadas, entre outras.

De igual forma a oposição ao executivo, feita pelo PSD, tem sido de mostrar responsabilidade ao se solidarizar com a maioria no executivo, fazendo intervenções em forma de comunicados e publicações nas redes sociais, na generalidade com propostas, mas que dois ou três comunicados mais truculentos ou “criativos” deitam a perder o que de positivo se teria proposto. Esta nova comissão política tem feito um esforço para aparecer muito mais, com o seu líder a dar o “corpo às balas”, ao contrário do anterior que não se lhe conhecia uma posição, tem chamado ao partido a nova geração, sem descurar, a escolha cirúrgica de alguns elementos com mais “experiência” para as suas fileiras, até porque as eleições autárquicas aproximam-se e terão que preparar toda uma estratégia… e um(a) condidato(a).