Tâmega e Sousa alerta que emigração acelera encerramento de escolas

"Está a sair muita população ativa, muitos jovens, o que diminuiu a natalidade e o número de crianças em vários concelhos", assinalou o autarca de Castelo de Paiva

FOTO: Armindo Mendes

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, Gonçalo Rocha, alertou hoje que a emigração dos últimos anos, a partir do território, está a acelerar o encerramento de escolas provocado pela falta de alunos.

“Está a sair muita população ativa, muitos jovens, o que diminuiu a natalidade e o número de crianças em vários concelhos”, assinalou o autarca de Castelo de Paiva.

As declarações de Gonçalo Rocha ocorrem a propósito do encerramento, no próximo ano letivo, de 40 escolas na região do Tâmega e Sousa, na sequência da reorganização do parque escolar determinada pelo Ministério da Educação.

Apontando o seu concelho como um dos que está a ser afetado pelo fenómeno da emigração, Gonçalo Rocha explicou que a diminuição da população jovem e de crianças, sobretudo nos concelhos mais rurais, torna muito difícil justificar a manutenção de algumas escolas com um número de crianças cada vez menor.

Para Gonçalo Rocha, nenhum presidente de câmara gosta de encerrar escolas, mas sublinhou que a gestão dos municípios determina decisões nesse sentido, sobretudo nos estabelecimentos que têm menos alunos.

Para o autarca, a emigração e a diminuição da natalidade, mesmo entre a população que se mantém no território, associada às dificuldades económicas das famílias, acabam por fragilizar um dos fatores mais competitivos do território do Tâmega e Sousa.

O presidente da câmara recorda que, apesar dos problemas, a região ainda é das mais jovens do país.

Ainda sobre o encerramento de dezenas de escolas, nos vários concelhos, que tem ocorrido ao longo dos últimos anos, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa defende que, na maioria dos casos, o processo tem sido articulado entre os governos e os municípios.

A construção de centros escolares, representando um avultado investimento das câmaras e da administração central, traduziu-se, segundo o autarca, num grande salto qualitativo em termos de infraestruturas de educação na região.

De acordo com dados do Ministério da Educação, 40 escolas do Tâmega e Sousa vão encerrar no próximo ano letivo, a maioria em Baião, Cinfães e Amarante, segundo a lista divulgada na segunda-feira pelo Ministério da Educação.

A reorganização da rede escolar naquele território, que compreende concelhos dos distritos do Porto, Braga, Aveiro e Viseu, afeta 11 municípios.

O segundo concelho do distrito do Porto com maior número de encerramentos (cinco) é Amarante. Duas escolas encerrarão em Travanca, transitando os alunos para o novo centro escolar da localidade. Os outros encerramentos no concelho vão ocorrer em escolas de Jazente (Fornos), Padronelo e Vila Seca (Gondar), com os alunos a serem transferidos para a sede do concelho.

No caso de Cinfães (Viseu), onde vão encerrar nove escolas, os alunos serão transferidos para o centro escolar General Serpa Pinto, na sede do concelho, e para o estabelecimento de ensino de Souselo.

A reorganização da rede escolar prevê ainda três encerramentos em Paços de Ferreira, dois em Lousada, dois em Penafiel e um nos concelhos de Felgueiras, Marco de Canaveses e Paredes, no distrito do Porto, e também um estabelecimento de ensino em Celorico de Basto, no distrito de Braga.

 

APM // ZO

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