REPORTAGEM: Mãe e filha são colegas de equipa no plantel feminino do FC Felgueiras

Diz-se na gíria popular que “filho de peixe sabe nadar” e o provérbio adequa-se na perfeição a Sara Teixeira e a Filipa Ribeiro. Mãe e filha são colegas de equipa no plantel feminino do FC Felgueiras.

 

“Filha, passa a bola” ou “Mãe, faz o golo” são frases que, à partida, não se ouvem dentro de um campo de futebol. No entanto, em Felgueiras, essa é uma situação comum, desde a temporada passada.

Filipe Ribeiro, a filha, de 18 anos, é uma das atletas mais novas da formação azul grená. Sara Teixeira, a mãe, de 44 anos, é a mais experiente da equipa que disputa o campeonato nacional da 3ª divisão.

Sara começou por dar os primeiros toques na bola “ainda na escola”. Antes de decidir “terminar carreira no clube da terra”, incentivada pela filha, representou vários outros emblemas como “Lixa, Amarante, Boavista e Moure”.

“Era um sonho antigo que tinha, que era acabar a minha carreira no FC Felgueiras”, confessou Sara Teixeira, reconhecendo que foi por iniciativa da filha que decidiu voltar à atividade, após alguns anos sem competir.

“Foi a minha filha que me trouxe para cá. Eu já tinha pendurado as chuteiras, surgiu a oportunidade e não pus de parte a hipótese de representar o Felgueiras, que é o meu clube do coração”, explica.

E como é jogar com a mãe na mesma equipa? A resposta de Filipe Ribeiro sai pronta: “aqui dentro não é minha mãe, só é minha mãe quando passamos as quatro linhas”.

FOTOS: ARMINDO MENDES

“O meu amor pelo futebol nasceu de ver a minha mãe jogar quando era pequena. Comecei a jogar na escola, depois vim aqui para as captações e também lhe disse para ela experimentar, por achei que tinha capacidades. Inicialmente ela ficou um bocado reticente por causa da idade, mas convenci-a”, revela.

“Às vezes fazem piadas sobre isso, mas é divertido. Mesmo nos jogos ficam admirados, o que aconteceu quando, uma vez, a minha mãe marcou um golo e saltamos uma para outra. Outra vez, quando fomos substituídas uma pela outra”, recorda Filipa Ribeiro.

“Também já tivemos a oportunidade de jogar um jogo no mesmo corredor. Ela era defesa e eu extremo-direito. Mas não correu muito bem, porque a minha filha grita muito”, acrescentou Sara Teixeira.

“Já que é ela quem grita em casa, eu tenho que aproveitar e gritar no campo”, rematou a filha, entre gargalhadas.

Mesmo fora das quatro linhas, o futebol é o tema de conversa “24 horas por dia”, sendo que agora o assunto preferido são os jogos que o FC Felgueiras terá de realizar durante o mês de maio, que poderá colocar a equipa na disputa pela subida à 2ª divisão nacional.

“Entramos em todos os jogos para ganhar. Infelizmente, às vezes, as coisas não correm como queremos, mas a confiança está no máximo e vamos lutar até ao último segundo para subir de divisão. Mas vamos pensar jogo a jogo”, conclui Sara Teixeira.