Seis autarcas do Vale do Sousa escrevem António Costa descontentes com portagens

Os presidentes das seis câmaras do Vale do Sousa, cinco dos quais eleitos pelo PS, escreveram ao primeiro-ministro para expressar “desagrado” por as autoestradas A41 e A42 não beneficiarem dos descontos nas portagens anunciados pelo Governo.

 

“Foi com muito desagrado que os seis presidentes das câmaras municipais, que integram a Associação de Municípios do Vale do Sousa (Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel), tiveram conhecimento que a A41 e a A42, que servem esta sub-região, onde reside mais de meio milhão de habitantes, não estão contempladas com a descida de preços, anunciada pela senhora ministra da Coesão Territorial”, lê-se numa carta aberta enviada a António Costa, à qual a Lusa teve hoje acesso.

Acrescenta-se no documento que o assunto foi abordado na última reunião do conselho diretivo da associação de municípios, na qual “todos os seis presidentes de câmara se manifestaram totalmente contra esta medida do Governo, que consideram como uma discriminação negativa”.

 

Principal acesso do norte do Vale do Sousa ao Porto

 

O eixo formado pela A41 e A42 constitui o principal acesso rodoviário dos concelhos do norte do Vale do Sousa (Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira) à Área Metropolitana do Porto.

Falando de “indignação” face à posição tutela, os autarcas recordam que “a introdução de portagens [há alguns anos] nestas vias [antigas SCUT), consideradas por todos estruturantes para a dinâmica económica da região, gerou descontentamento entre a comunidade, desde logo pelo agravamento do custo da produção, resultante do elevado custo do transporte de mercadorias, sendo que não há alternativas rodoviárias adequadas à atuais A41 e A42”.

Na carta, destaca-se, também, que os seis presidentes “estavam expectantes que a arrojada aposta do Governo da República no interior do país tivesse neste território um reflexo muito positivo, com o mesmo tratamento dado a outras regiões periféricas”.

A42 b

“Apesar dos vários alertas de todos os eleitos locais, de exposições sucessivas a governos sucessivos, sentimos todos que ainda não houve um Governo da República que tivesse a coragem de se debruçar seriamente sobre este assunto, antes pelo contrário, sentimos indiferença e adiamento”, lê-se ainda na carta-aberta, que termina com um apelo ao primeiro-ministro:

“Vimos solicitar que junto do Governo sejam acolhidas as nossas pretensões, de modo a que os milhares de utilizadores da A41 e A42 deixem de ser constrangidos com uma portagem que onera a todos e impede uma maior aceleração económica, cujo objetivo é a manutenção dos atuais postos de trabalho que, graças à dinâmica das empresas, começou a atrair centenas de trabalhadores do Grande Porto e do país”.