“Seriedade” eleitoral!

Os sinais de que já “entramos” em ano eleitoral são mesmo evidentes: Nuno Fonseca já garantiu a aprovação da manutenção da coligação eleitoral “liderada” pelo Partido Socialista pela Comissão Política do PS/Felgueiras usando o nome do movimento como farsa para se esconder de uma coligação partidária; o CDS/PP que esteve na penumbra mudo e calado, amarrado a uma estratégia de silêncio apareceu para demonstrar que está alinhado com o Executivo Municipal; o PSD – partido – finalmente parece ter acertado o passo em termos de seriedade na comunicação passando a apresentar propostas efetivas para o concelho – bem sabemos que algumas delas vão contra aquilo que colocou em prático quando foi poder -, mas finalmente parece ter visto a luz que o PS/Felgueiras no Executivo e na Assembleia Municipal lhes tentou mostrar no mandato anterior; a Iniciativa Liberal tem usado a sua estratégia de comunicação como pode nas redes sociais, onde tem sido violentamente atacada pelos defensores do regime; a comunicação, quer por parte do Poder (assente em marketing) quer da oposição tem-se feito nas redes sociais, onde não existe nem contraditório, nem verificação dos factos, e onde muitas vezes apenas se conta parte da estória.

É verdade que existem cada vez mais pessoas a acreditar que a informação, o debate político, a campanha eleitoral, se farão nas redes sociais, facto sustentado em duas premissas principais: as redes sociais têm um grande alcance e, permitem ultrapassar as dificuldades de contactos pessoais! Só que as redes sociais são de facto uma grande fonte de desinformação, de falta de contraditório, de meias-verdades, de distorção da realidade. E como é que isto pode ser combatido? Com informação séria, com existência de contraditório, com a existência de pensamento estruturado, com reflexão crítica que combata a acefalia que alguns tanto querem, ou seja com a existência e prevalência dos meios de comunicação social. A comunicação social faz-nos falta, e a comunicação social local faz mesmo muita falta. É fácil aos cidadãos acederem a informação nacional completa, e sobre ela terem uma visão crítica e complementar, mas é muito mais difícil ter o mesmo tipo de informação, de reflexão sobre a divulgação da informação no que diz respeito aos factos locais. O que é até um contrassenso atendendo à proximidade! Como é que isto pode ser alterado? Não é certamente através das redes sociais, mas sim de meios de comunicação social locais, que Felgueiras concelho já teve em maior quantidade, mas que ainda mantém, e até em complementaridade, pois podemos ter acesso a informação regulada (não no mau sentido, mas no sentido que é produzida por quem tem o dever de cumprir o código deontológico), em formato papel, online e rádio, produzida por jornalistas, em órgãos de comunicação devidamente registados e que cumprem o seu Estatuto Editorial, sem estarem ao serviço de A ou B, não servindo poderes ou interesses, cumprindo a sua missão com os leitores ou ouvintes, pela informação e pela verdade na sua total amplitude.

Eu sei que sobretudo o Poder tem sempre tentação de “controlo” da informação, da opinião que é difundida, e da sua amplitude, pois tudo o que mais gosta é do Marketing positivo, e de esconder ou até silenciar tudo o que seja a visão da oposição, ou até de quem possa principalmente ajudar os cidadãos a pensar sobre vários ângulos num determinado tema. Céticos?… Para sistematização usemos como exemplo a taxa de IMI. Notícia: “Município aprova redução de IMI para o mínimo”. A notícia é verdadeira, mas… O Executivo cumprindo uma promessa eleitoral no último ano de mandato reduziu o IMI à taxa mínima de 0,3%, o que é positivo. Só que a notícia não pode ser apenas esta: porque demorou o executivo 4 anos a passar a taxa de 0,325% em 2017 para 0,3% em 2021; porque demorou 4 anos a reduzir 0,025%; porque demorou o Executivo a reduzir 0,025% na taxa de IMI quando apesar da redução anual que implementou aumentou as suas receitas, que em 2017 foram de 4,1 milhões de euros, e de 4,4 milhões em 2018 e 2019? Ou seja, é claro e objetivo que existiam de facto condições para a taxa de IMI ser reduzida para a taxa mínima em 2018 e isso só foi adiado por uma questão meramente eleitoral de apresentar esta grande notícia no último ano de mandato, pois todos reconhecemos o efeito da memória de curto prazo nos eleitores! Outro exemplo poderia ser o valor gasto com as iniciativas relacionadas com o Covid-19, que segundo o Presidente de Câmara ascendem a 600 mil euros. Faltou dizer que este valor é inferior ao que anualmente é transferido para a ACLEM, de 660 mil euros, apesar de uma auditoria encomendada por Nuno Fonseca ter sugerido que este valor deveria ser revisto, o que nunca aconteceu e que volta a estar no Orçamento da ACLEM aprovado para 2021 pelo Executivo Sim Acredita!, apesar da atividade desta entidade estar condicionada desde março/2020…

Mas como dizia, antes da “divagação”, o Poder tem uma grande tentação de controlo dos meios de informação pois são eles onde continua a residir a esperança, a credibilidade, e a confiança no que se lê e ouve, e tenta fazê-lo condicionando a informação e quem intervém, usando os meios que tem à sua disposição. Bem-hajam aqueles que resistem, e continuam perante todas as dificuldades a serem agentes de informação livre e plural, não se mascarando, nem sendo subservientes.