Silêncios que “falam”!

A revelação de que uma boa parte do executivo está a ser alvo de investigação judicial, tendo até já sido constituídos arguidos, tem merecido pouco mais do que silêncios,  reveladores do amordaçamento a que Nuno Fonseca conseguiu conduzir a política e uma boa parte da sociedade em Felgueiras!

Já por várias vezes “alertei” para a liderança, tal qual união de facto, que assumiu relativamente ao Partido Socialista concelhio, e se fossem necessários mais exemplos bastaria atentar no  recente comportamento do presidente de câmara no dia da escolha do secretário-geral do partido. Mas Nuno Fonseca, e o seu núcleo mais restrito, tem conseguido silenciar a oposição, com maior destaque a do PSD/Felgueiras, mas também a do CDS/PP…

Perante a notícia amplamente divulgada na comunicação social, local, regional e nacional, com elementos sólidos, até agora, o executivo está em silêncio, apesar de ter sido solicitado a tomar posição.  A estrutura concelhia laranja demorou a reagir, emitindo um comunicado em vez de “dar a cara” numa conferência de imprensa, necessária perante a gravidade e extensão do caso, e o PS/Felgueiras obviamente “está às ordens” de quem lidera.

Como há silêncios que são mais ruidosos que muitas palavras e discursos, a próxima reunião da Assembleia Municipal, agendada para a próxima semana, será certamente o momento para que este assunto, judicial mas resultante da ação municipal, seja analisado pelo órgão fiscalizador da atividade do executivo. Para isso só é necessário que a liderança de José Campos aceite o pedido da bancada parlamentar do PSD para inclusão deste ponto na ordem de trabalhos.

O presidente da AM pode sempre recorrer ao argumento de que a ordem de trabalhos já estava definida e aceite, mas, certamente que esse não será, seria, um contributo para a dignificação do órgão, para a transparência que se exige de quem tem por missão fiscalizar, e será interpretado como uma proteção! 

Aparentemente, o que está em causa é o incumprimento da legislação ao nível de alguns procedimentos. Independentemente dos valores em causa, estão princípios, ações realizadas logo em início de funções (não, o desconhecimento da legislação não é argumento invocável), e que envolve parte importante do executivo, desde logo o presidente, o vice-presidente, o vereador, e o ex-chefe de gabinete de Nuno Fonseca! Bastaria isto, para que já fosse, um caso extraordinariamente grave.

No entanto, além da discussão na próxima reunião da AM, este caso judicial, que foi antecedido no passado pela notícia/reportagem da revista “Sábado” em junho de 2022, intitulada “Os fabulosos irmãos Cangalho & CIA”, deve ser motivo para que seja realizada uma auditoria.

Uma auditoria que deveria até ser proposta pela maioria do Partido Socialista na AM, e aprovada por unanimidade!

Tal como foi, e muito bem realizada uma auditoria aos mandatos de Inácio Ribeiro, este é sem dúvida um momento em que se exige o mesmo ao tempo de mandato dos executivos liderados por Nuno Fonseca.

Infelizmente, a minha opinião é que não será assim, e que teremos apenas discursos populistas e emocionais por parte do presidente e dos seus “soldadinhos de chumbo”! 

Este não é um tempo de silêncio, é sim de transparência! Como escreveu Shakespeare para a sua personagem Júlio César “O homem, às vezes, é soberano de seu próprio destino. A culpa, caro Brutus, não está nos astros, mas em nós mesmos, que nos permitimos ser subjugados.”