Uma espécie de Orçamento

Temos Orçamento ou, melhor, uma espécie de Orçamento.

Começou por ser um Orçamento pura e ideologicamente de esquerda, não fossem os coautores o BE e PCP e terminou num exercício impossível de economia que ninguém sabe como vai acabar. Não, estou a brincar, todos sabemos que vai acabar mal.

Aqueles que têm uma palavra a dizer sobre o nosso Orçamento – por mais que custe à esquerda radical – como a Comissão Europeia, Troika e UTAO, levantaram fortes reservas e dúvidas, levando à introdução de medidas de austeridade – a que António Costa e o ainda ministro das finanças, Centeno, gostam de chamar de restritivas – mesmo contra todas as promessas eleitorais, aumentam brutalmente a carga fiscal sobre todos os portugueses através dos impostos indiretos como os combustíveis, o ISV – este governo acha que quem tem um rendimento bruto de dois mil euros é “rico” – imposto de selo, falha a redução da TSU para quem ganha menos que seiscentos euros, que foi uma das bandeiras eleitorais do PS e um role de outras falsas promessas e austeridade.

Pior do que tudo é conseguirem acreditar que, através do consumo interno – que precisa de dinheiro fresco que não existe – a economia, num passe de mágica, cresce. Por outro lado as empresas responsáveis pelo crescimento económico, pelas exportações, pela criação de postos de trabalho, pelo pagamento dos salários, sofrem com os aumentos diretos dos seus custos de produção e de distribuição. Basta ver a nossa indústria do calçado, responsável por uma enorme fatia da nossa exportação, que terá os seus custos de distribuição aumentados pelo aumento de combustíveis. Como o PM, António Costa, nos mandou andar de transportes públicos para poupar no gasóleo – só deve conhecer Lisboa e o Porto-, talvez mande os nossos empresários enviarem as mercadorias de balão, o ar quente ainda é grátis.