União e Coesão!

O Governo do Partido Socialista esteve bem ao criar a medida de discriminação positiva que reduz o valor a pagar nas auto-estradas do interior, promovendo desta forma a coesão territorial. Só que, esteve mal ao não incluir as A41, A42 e A11 neste “pacote” de descontos, pois desta forma não contribui para aumentar a competitividade de uma área densamente industrializada no Vale do Sousa, em concelhos como Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes…

 

Analisando de forma mais particular o concelho de Felgueiras, economicamente movido principalmente pela indústria do calçado – altamente dependente da mobilidade rodoviária para receber matéria prima, e escoar produto acabado -, o esforço que o Executivo Municipal de está a realizar com a expansão por exemplo da área de Acolhimento Empresarial do Alto das Barrancas em Revinhade que tem uma localização privilegiada no acesso à A11 acaba por não ser exponenciado pelo Governo nesta iniciativa de descontos nas auto-estradas.

Esta discriminação negativa por omissão do Governo Central já foi criticada, e bem, por todo o espectro político felgueirense, com o Presidente Nuno Fonseca a assumir que apesar de não ter conseguido os seus intentos não desistirá e não descarta a tomada de posições mais “musculadas”, faltando esclarecer o que significa isso, até porque existe uma linha vermelha que este não poderá ultrapassar, e que é o apoio que necessita do Partido Socialista para a sua candidatura à reeleição em 2021!

Nas reações a esta medida de descontos nas auto-estradas estranha-se que a Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa não tenha vindo a público defender a integridade do seu território nestes benefícios rodoviários, deixando os seus membros a falarem a duas vozes: a Associação de Municípios do Baixo Tâmega congratulou-se com a medida e, os municípios ligados à Associação de Municípios do Vale do Sousa reclamaram, com toda a razão, não terem sido contemplados por esta medida. Isto demonstra, em certa medida, a cacofonia organizacional dos agrupamentos de municípios, com demasiados níveis organizacionais, onde a coesão territorial de uma região é defendida a vários níveis, por várias vozes, mas sendo os intervenientes (entenda-se Presidentes de Câmara) os mesmos representantes nas várias organizações. O único Presidente de Câmara que publicamente tomou uma posição em defesa de toda a região do Tâmega e Sousa foi Paulo Pereira de Baião.

Mas se os Presidentes de Câmara do Tâmega e Sousa tiveram opiniões diferentes mantiveram-na em todos os fóruns de forma coerente, ao contrário do que aconteceu com felgueirense que é o Presidente do Conselho Empresarial do Tâmega e Sousa e Presidente da Associação Empresarial de Felgueiras que se regozijou com uma medida que apenas “beneficia” parte do território empresarial… No entanto, talvez seja necessário não ficar pela espuma do assunto e: 1. analisar como Emídio Monteiro chegou a Presidente da Associação Empresarial de Felgueiras, ou seja quais os seus aliados e promotores, e 2. perceber que os descontos anunciados nas portagens não abrange toda a extensão da A4…

Espero, agora, que os Presidentes de Câmara da região adotem uma posição conjunta e a uma só voz em defesa da Região do Tâmega e Sousa, pois isso será um sinal de união e de força, até porque a ministra da Coesão Territorial já anunciou que o Governo irá analisar todos os pedidos e reações sobre os descontos nas portagens para o interior, abrindo desta forma a porta para a revisão das medidas anunciadas.