Vereadora Adelina Silva considera “desafio gratificante” trabalho desenvolvido

 

Adelina Silva integrou, em 2013, a lista do movimento “Manter A Esperança – PPD/PSD.PPM” liderada por Inácio Ribeiro, à Câmara de Felgueiras.

Em entrevista ao EXPRESSO DE FELGUEIRAS, a vereadora admitiu que foi uma surpresa a eleição, já que era a sexta na lista, mas confirmou que tem sido um desafio lidar diariamente com as pessoas e com as questões do concelho.

Adelina Silva desempenha funções de vereadora com os pelouros das Finanças, Património e Controlo Interno; Urbanismo; Turismo; Atividades Empresariais e Turísticas e Empregabilidade.

Mestrada em Contabilidade, Adelina Silva deixou nas mãos do marido a empresa que geria e dedica-se a tempo inteiro aos afazeres da autarquia.

Ao longo do dia, Adelina Silva despacha centenas de papéis dos pelouros mais burocráticos, mas ainda fica com tempo para se dedicar ao Turismo, com a projeção de várias iniciativas para promover e divulgar o concelho e os produtos endógenos.

Revelando um pouco daquilo que é o trabalho na autarquia, a vereadora contou ao EXPRESSO DE FELGUEIRAS que tem sido um “desafio gratificante”.

 

EXPRESSO DE FELGUEIRAS: Começando pelas Finanças, como estão as contas da autarquia?

ADELINA SILVA: Desde 2009, todas as prestações de contas têm sido feitas com muito rigor. As contas estão controladas. Os nossos indicadores estão no top 10 dos 308 municípios. Estamos com uma boa saúde financeira.

Mas para termos as contas controladas, temos de ter as despesas bem geridas. Nos últimos anos tem havido uma grande diminuição da receita, o que traz muitos condicionantes.

Com aquilo que temos, estamos a gerir de forma racional, rigorosa e cumprindo a legislação. A nossa comparticipação do Estado tem vindo a diminuir, praticamente é para pagar as despesas com o pessoal.

Temos a receita própria com os impostos municipais, mas que também tem vindo a diminuir, nomeadamente o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), devido às reavaliações das habitações.

Em três anos, diminuiu em mais de um milhão de euros. Quer dizer que, apesar de em todo o país isso não acontecer, em Felgueiras houve alguma anormalidade que nos custou alguma receita.

Este ano, para colmatar as perdas, aumentamos um bocadinho ao IMI. Se queremos manter o reequilíbrio das contas e fazer obras para garantir a qualidade de vidas das pessoas é necessário fazer um reajuste.

Houve também perda por causa das transições do quadro comunitário.

 

EF: Como é que se alia pelouros tão burocráticos com o pelouro do Turismo?

AS: Felgueiras não uma cidade turística por excelência, mas temos produtos que nos diferenciam do resto do país e são esses que promovemos.

O nosso produto mais endógeno são as pessoas, é o nosso produto mais genuíno. Segue-se o calçado, que nos põe em todo o mundo, o que também se deve às pessoas. O terceiro é o vinho verde, não há outro igual. Neste âmbito estamos com um projeto que é fazer uma mostra de vinho verde, para promover o nosso vinho.

Somos o segundo produtor nacional de vinho verde.

O quarto produto é o quivi. É um produto que está a crescer, somos o primeiro produtor nacional. Em quinto, e não menos importante, é a nossa gastronomia. Temos muitos restaurantes com um serviço muito bom.

O meu desafio, enquanto vereadora com o Pelouro do Turismo, é promover o que já existe.

Temos, no entanto, uma lacuna no concelho, que é a falta de um hotel. Mas o executivo está a trabalhar nisso.

Faz falta para o turismo de lazer e para o turismo de negócios empresariais. Todos os dias vêm pessoas do estrangeiro a Felgueiras e não há grande alojamento.

Queremos que quem vier fique aqui uma ou duas noites.

 

EF: Quais são os principais desafios a nível turístico que o concelho enfrenta?

AS: Lançamos recentemente o Roteiro do Turismo Empresarial, que ainda é um embrião, mas que já tem algumas empresas de Felgueiras associadas.

Quem quiser visitar qualquer uma das empresas ou instituições pode fazê-lo através de marcação. Pode ir à empresa, ver fazer o produto e ainda comprar produtos feitos em Felgueiras.

Dou um exemplo: um grupo que venha ver o nosso património da Rota do Românico pode enquadrar uma visita a uma das fábricas do roteiro.

Para 2016, está prevista a continuidade de algumas das atividades que a autarquia já vem desenvolvendo.

Está garantida a participação na Bolsa de Turismo de Lisboa e numa mostra de gastronomia, em Ourense, Espanha, a realização da quinta edição dos Sabores In, para divulgar a gastronomia, o Festival da Francesinha, o Verão em Festa, Festival do Pão de Ló e a Feira do Fumeiro.

Em setembro do ano passado foi promovida, pela primeira vez, a apanha do quivi, onde experimentamos a apanha com os trabalhadores.

Em 2015 fizemos também, pela primeira vez, a iniciativa “Há Festa na Aldeia”.

Felgueiras tem duas aldeias classificadas como Aldeias de Portugal: a Aldeia do Burgo, em Pombeiro, e a Aldeia Codessais, em Sendim.

Em 2015, fizemos a primeira edição de “Há Festa na Aldeia”, em parceria com a ADERSOUSA, na aldeia do Burgo. Nesta festa todos os moradores da aldeia participaram e fizeram um trabalho espetacular. Foram revitalizadas as rendas de filé.

A ideia foi tão bem aceite que as senhoras da aldeia estão a criar uma cooperativa e estão a ensinar as moças mais jovens.

Fizeram-se trabalhos muito bonitos e vendeu-se muito. Para além de fazer renascer a renda de filé, também vimos os moradores a fazerem algo pelo local onde vivem. Se não forem eles a cuidar, mais ninguém o faz. Por muito que o município queira ter os jardins arranjados, se os moradores não ajudarem não se pode fazer muito.

Este ano, independentemente da candidatura que a ADERSOUSA vai fazer a fundos, a câmara garante a organização da festa.

 

EF: O que pode a câmara fazer ao nível do empreendedorismo num concelho com muitas empresas do setor do calçado e com uma das taxas de desemprego mais baixas do país?

AS: Estamos a desenvolver um trabalho administrativo e burocrático que é fazer um levantamento das empresas que estão nas nossas zonas de acolhimento empresarial.

O objetivo é criar uma base de dados para fazer algum trabalho de dinamização dessas zonas.

Temos o Balcão do Empreendedor, que apoia e ajuda qualquer pessoas que queira iniciar uma nova atividade. Temos como BackOffice a Escola Superior de Tecnologias e Gestão de Felgueiras.

Na empregabilidade, apesar de o concelho ter uma taxa de desemprego das mais baixas do país e do número de pessoas com Rendimento Social de Inserção ser um dos mais baixo do país, ainda temos algum desemprego jovem dos recém licenciados.

Isso preocupa-me porque são os mais jovens que mais emigram.

Faltam-nos os serviços para os licenciados. É nesse sentido que estou a direcionar o meu trabalho. Estamos a tentar captar algum investimento que possa fazer com que os serviços para técnicos superiores sejam direcionados para os jovens.

 

EF: Do ponto de vista do Urbanismo, o que está a ser feito e o que está previsto?

AS: O Urbanismo é uma área na qual nos debatemos com algumas regras impostas pela Troika, que é a questão da contratação de pessoal. Estamos constrangidos e o Urbanismo é uma das áreas onde falta pessoal. Apesar disso é um dos departamentos que está bem organizado.

Há algumas queixas por parte dos munícipes, porque os processos demoram, mas todos os que saem, saem bem. Os técnicos estão capacitados.

Temos vários projetos nesta área. Estamos a trabalhar no Plano de Mobilidade Sustentável para as nossas quatro cidades.

Aprovamos recentemente as áreas de reabilitação urbana para o centro de Felgueiras, para a Lixa, a vila da Longra e para a vila de Barrosas.

São áreas que já estão definidas e todas as casas de habitação própria que estejam nessas áreas e precisem de obras de reabilitação têm benefícios fiscais. Não é a câmara que dá, mas podem recorrer a esse benefício.

Os privados ficam isentos de IMI durante cinco anos e do IMT. Têm uma taxa de IVA reduzida de 6% e redução em IRS.

O objetivo é que os centros urbanos, que por vezes estão mais degradados, sejam revitalizados.

Barrosas, Longra, o centro de Felgueiras e Lixa têm essas áreas delimitadas e há informação disponível se a casa está ou não em área contemplada.

A nível de espaço público nessas áreas, estamos a preparar projetos e intervenções, para que os centros fiquem mais bonitos. Queremos iniciar pelos espaços públicos para que os privados façam o mesmo nas suas casas.

Outro desafio para 2016 é a revisão do Plano Diretor Municipal. Já iniciamos a revisão que ficará concluída no prazo de um ano.

Já há muito tempo que não é feita uma revisão e é importante fazer um planeamento do urbanismo. Tem de haver uma planificação para a construção e alavancar locais que cresçam e criem mais habitação.

Vamos querer também criar mais mobilidade para as pessoas.